ECONOMIA


Banco estrangeiro eleva recomendação para ações brasileiras

Segundo BofA, principal gatilho está na Selic; Banco abandonou cautela e passou Brasil de “marketweight” para “overweight”

Foto: XP Investimentos/assessoria

 

O Bank of America (BofA) elevou sua recomendação para as ações brasileiras, segundo relatório distribuído nesta terça-feira (8) à imprensa, apoiado principalmente na expectativa de um ciclo mais profundo de cortes de juros no país.

O banco passou o Brasil de marketweight (posição neutra, em linha com o peso de referência) para overweight (posição acima do peso de referência), deixando para trás uma postura mais cautelosa que vinha sendo mantida desde junho.

O principal gatilho está na Selic. A projeção do banco é de que a taxa básica recue para 11,25% ao fim de 2027, um patamar consideravelmente menor do que os 14% que vinham sendo precificados pelo mercado. Segundo o banco, esse nível também está abaixo dos cerca de 14% atualmente precificados pelo mercado.

“A desaceleração da atividade e os menores riscos de inflação podem permitir um ciclo mais profundo de flexibilização monetária”, afirma o relatório.

A mudança de recomendação ocorre em um momento de forte valorização da Bolsa brasileira. Às 13h22 desta terça-feira (8), o Ibovespa subia 1,34%, aos 187.644 pontos, após atingir a máxima de 189.487 pontos.

Na volta do fim de semana prolongado pelo feriado, o índice também encontra suporte na alta das commodities, como petróleo e minério de ferro, enquanto investidores acompanham novas pesquisas sobre a disputa presidencial.

Para o banco, uma política monetária mais flexível tende a favorecer uma recuperação dos múltiplos das ações brasileiras, especialmente entre empresas que sofreram mais com o custo elevado do dinheiro nos últimos anos.
“O impacto de uma política monetária mais frouxa provavelmente levará as avaliações das ações para níveis menos deprimidos”, diz o BofA.

Na avaliação da instituição, esse efeito pode superar outros riscos que permanecem no radar, como eventuais revisões para baixo das estimativas de lucro das empresas, desaceleração da demanda e até parte das incertezas relacionadas à eleição presidencial.

O argumento ganha força porque, segundo o relatório, o Ibovespa excluindo empresas de commodities ainda negocia com desconto de aproximadamente 10% em relação à sua média histórica.

Quando se ajusta essa comparação ao atual nível dos juros, porém, o desconto fica próximo da média. A diferença maior aparece justamente nas ações mais sensíveis às taxas de juros, que continuam sendo negociadas com descontos mais profundos.

É nesse grupo que o BofA decidiu aumentar sua exposição. “Aumentamos nossa alocação no Brasil por meio de empresas com maior sensibilidade aos juros e potencial de valorização em um ciclo de flexibilização”, afirma o banco.