BAHIA


Funcionários de grupo do setor cerâmico alegam atraso em pagamentos; Empresas negam irregularidades

Empresas foram acusadas de "atrasar verbas rescisórias, salários e reter dinheiro de contracheques"

Foto: Reprodução/Ilustrativo

Funcionários das empresas Incenor e Tecnogres, do Grupo Fragnani, um dos maiores conglomerados do setor cerâmico do Brasil, denunciaram atrasos frequentes nos salários e no pagamento de rescisões. Segundo relatos de servidores, que preferiram não se identificar, um acordo foi estabelecido no Ministério Público para o parcelamento das verbas rescisórias dos trabalhadores que foram demitidos. No entanto, os colaboradores argumentam que o compromisso não foi cumprido.

“Eles alegam a questão financeira, por conta da recuperação judicial, mas ainda assim, não dão prazo para as pessoas e, quando dão, não cumprem esses prazos. Os salários dos funcionários ativos também começaram a sair atrasados”, relatou um trabalhador.

Os servidores alegam também que as empresas têm falhado em repassar os descontos realizados nos contracheques às instituições responsáveis. “O empréstimo consignado, por exemplo, é debitado do salário, mas não está sendo repassado para a instituição que faz o financiamento. A empresa tira e não repassa. Alguns estão pagando empréstimo duas vezes, sem contar os que pagam pensão e correm o risco de ser presos por conta dos atrasos no salário”, denunciou outro operário.

Segundo as fontes, as manifestações de funcionários e ex-funcionários foram reprimidas com intimidação e intervenção policial. “Ontem (13) houve um movimento, justamente por conta dos ex-funcionários que não iam receber e não foram comunicados. Nos comunicaram que iriam prorrogar a data de pagamento, aí as pessoas voltaram hoje, mas não tiveram retorno”, alegou.

“A empresa soltou um novo comunicado que as pessoas não poderiam fazer manifestações, colocou a polícia aqui, ameaçando as pessoas que, se elas fizessem algo, seriam presas”, completou.

A segurança no local de trabalho foi outro ponto levantado. “A gente tem uma área chamada moagem de argila, onde as pessoas são expostas à articulados de pó, sem os EPIs [Equipamentos de Proteção Individual] adequados. Já houve acidente nessa área”, relatou um operário da Incenor.

Para um funcionário, o cenário é de forte insegurança sobre o cumprimento das leis trabalhistas. “Sempre prometem algo e não cumprem. Ficamos de mãos atadas, não sabemos até que dia vamos receber salário e, se formos demitidos, não sabemos se receberemos rescisão. Tem três anos que não depositam o FGTS. É uma situação insegura”, declarou.

Em nota oficial, o Grupo Fragnani afirmou que as medidas relacionadas às demissões e ao pagamento das verbas rescisórias estão sendo “adotadas e conduzidas junto aos órgãos competentes”, além de afirmar que os ex-servidores já foram informados sobre o pagamento das verbas rescisórias e os procedimentos adotados para regularizar o cenário.

Confira a nota completa:

“Informamos que todas as medidas necessárias relacionadas às demissões e ao pagamento das respectivas verbas rescisórias estão sendo adotadas e conduzidas junto aos órgãos competentes, em conformidade com os procedimentos aplicáveis. Os ex – colaboradores envolvidos já foram devidamente informados sobre a previsão para o pagamento das verbas rescisórias devidas, bem como sobre os procedimentos que estão sendo adotados para a regularização da situação. Reforçamos nosso compromisso com a transparência, o diálogo e o cumprimento das obrigações legais, mantendo as informações sobre todas as etapas do processo.”