POLÍTICA


Senado adia votação sobre investigação de órgãos de controle no caso Banco Master

Relatora do processo cobra depoimento de ex-banqueiro para esclarecer falhas de fiscalização e perdas superiores a R$ 50 bilhões

Foto: Reprodução/Redessociais

 

​A Comissão de Transparência, Governança, Fiscalização e Controle (CTFC) do Senado Federal adiou, nesta quarta-feira (4), a votação de um relatório formulado para investigar autoridades públicas no caso Banco Master. O colegiado analisa uma Proposta de Fiscalização e Controle (PFS) para apurar supostas omissões de órgãos reguladores; a senadora Leany Lemos (PSB) pediu vista do processo e transferiu a decisão final para a próxima semana.

​A relatora da matéria, senadora Damares Alves (Republicanos), pediu a votação imediata e defendeu a convocação do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para depoimento. “Eu soube, a imprensa fala, há passarinhos azuis andando nos corredores que o Daniel Vorcaro quer falar. Por que não falar nesta comissão? Essa é uma comissão preparada para ouvi-lo”, declarou a parlamentar ao presidente da sessão, senador Dr. Hiran (PP).

​O texto, de autoria do senador Márcio Bittar (PL), prevê a análise de falhas do Banco Central (BC) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O objetivo consiste em verificar alertas prévios recebidos pelas autoridades e ações adotadas antes da liquidação do banco, decretada em novembro de 2025. “O Brasil precisa saber de muita coisa que aconteceu no Banco Master”, afirmou Damares Alves sobre o documento concluído em abril.

​A proposta investiga também a possível interferência política no uso de bancos públicos e fundos de pensão para o benefício das operações financeiras sob suspeita. O relatório projeta um impacto superior a R$ 50 bilhões nas contas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e nos fundos de previdência. “A Comissão identificará onde os fluxos de informação falharam e quem era responsável por garanti-los”, detalhou a relatora no parecer.

​O procedimento legal permite ao Senado solicitar documentos restritos e requerer auditorias diretas ao Tribunal de Contas da União (TCU). Caso os parlamentares aprovem o relatório na próxima reunião e confirmem os indícios de irregularidades, a comissão enviará as conclusões ao Ministério Público para eventual responsabilização dos envolvidos.