POLÍTICA


Governo avalia perfis técnicos e políticos para Ministério da Segurança Pública

Lista de cotados para comandar a pasta divide opções entre quadros partidários e especialistas da área jurídica

Foto: Ricardo Stuckert/PR

​O governo federal estuda a criação de um Ministério da Segurança Pública no Brasil. As discussões públicas sobre os possíveis candidatos ocorreram nesta quarta-feira (4). A decisão central envolve a escolha por um gestor com base política ou com experiência estritamente técnica.

​Nomes vinculados ao PT compõem a lista de alternativas com foco eleitoral. Rui Costa, ex-chefe da Casa Civil e senador eleito, e Camilo Santana, também senador, lideram as opções. Fernando Haddad também consta na relação; a nomeação de um desses quadros projeta o escolhido para o cenário político pós-Lula.

​A indicação de um aliado partidário, contudo, cria riscos institucionais. O analista Pedro Venceslau explicou o impasse em entrevista à CNN. “Há o temor de que o petista que ocupar esse cargo possa acabar enfrentando um grande desgaste e acabe acontecendo o oposto, em vez de se projetar, acabe ficando desgastado.”

​No espectro técnico, o promotor Lincoln Gakiya surge com naturalidade entre os cotados. Ele chefia o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (GAECO) do Ministério Público de São Paulo. O especialista possui o respeito do presidente da República e de filiados à sigla.

​O comentarista detalhou a trajetória de Gakiya no setor. “Muito combativo em relação ao Primeiro Comando da Capital, tem travado essa luta há muito tempo, foi ameaçado de morte, e conhece como ninguém o funcionamento, o organograma e como atua o PCC e outras facções criminosas”, afirmou. A bagagem prática no combate ao crime fundamenta o apoio ao nome.

​Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça, configura a segunda alternativa técnica. O advogado e procurador coordena o programa Celular Seguro; a iniciativa funciona como uma vitrine da gestão federal no setor. Ele atuou anteriormente na Secretaria de Segurança do Piauí.

​As deliberações integram um cenário comum a reestruturações de ministérios. “Nessa época de transição, mesmo que seja para o mesmo governo, sempre há listas de apostas, de nomes ventilados, e muitas vezes acaba nem sendo alguém que aparece nessas listas”, observou Venceslau. A definição oficial da titularidade continua sob análise governamental.