BRASIL


Força Nacional amplia efetivo no MS para proteger aldeias indígenas

Governo federal adota protocolo de patrulha contínua em áreas da etnia Guarani Kaiowá em resposta a denúncias de retaliações políticas

Foto: Assessoria/PF

 

​O governo federal anunciou, no sábado (31), a ampliação do efetivo da Força Nacional de Segurança Pública nas aldeias Guarani Kaiowá, no Mato Grosso do Sul. A medida responde a denúncias de violência contra comunidades indígenas desde o segundo turno da eleição presidencial.

​O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, comunicou a decisão durante visita à região de fronteira com o Paraguai. Ele informou a adoção do protocolo “Minuto a Minuto”, com a presença contínua de equipes nas áreas de operação para respostas rápidas a crimes.

​“Eles estarão sempre no terreno, sempre na área de operações disponíveis para se deslocar onde qualquer ocorrência com aparência criminosa ou severa aconteça”, afirmou o ministro. As equipes atuarão sob acionamento da Polícia Federal (PF), da Polícia Rodoviária Federal (PRF) ou das forças estaduais de segurança. O objetivo da estratégia federal é coibir novos ataques.

​A comitiva federal incluiu o ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, e a ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Janine Mello. Os representantes visitaram as aldeias Sassoró, em Tacuru, e Taquapery, em Coronel Sapucaia, para ouvir as comunidades e avaliar medidas de proteção.

​A mobilização ocorreu após a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) registrar mais de 30 denúncias de violência política na região. Um dos episódios envolveu áudios com ofensas racistas e promessas de envenenamento da água em Tacuru. A prefeitura afastou dois funcionários suspeitos e instaurou procedimentos administrativos sobre o caso.

​O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigações para apurar a autoria das ameaças e acompanhar a segurança das aldeias. Até o momento, as autoridades não confirmaram a efetivação da contaminação da água consumida pelos indígenas.

​O cacique Megaron Txucarramãe exigiu ações de proteção por meio de um vídeo no sábado (31). Na gravação, a liderança declarou: “Não pode acontecer mais esse conflito, essa matança. Não queremos conflito, não queremos matança”. Megaron também alertou para a expansão da violência para outras regiões e concluiu: “Chega, chega. Queremos viver em paz”.

​O relatório Violência Contra os Povos Indígenas no Brasil 2025, do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), registrou 37 assassinatos no estado no ano passado. O Mato Grosso do Sul concentra o terceiro maior número de mortes do país, atrás apenas de Roraima e do Amazonas.

​As entidades apontam um histórico de décadas de ataques armados e violações de direitos. Para o Instituto Raoni e a Apib, as intervenções pontuais de segurança e a responsabilização criminal não encerram o problema. O grupo defende o avanço na demarcação de terras como a única resposta definitiva aos homicídios de lideranças.