ECONOMIA


Endividamento bruto se mantém em 82,9% e dívida líquida atinge patamar recorde

Indicador do Banco Central consolida alta de 11,2 pontos percentuais na atual gestão, enquanto setor público registra déficit primário de R$ 5,5 bilhões em setembro

Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

O Banco Central divulgou nesta quinta-feira (29) os novos dados das contas públicas do Brasil. A dívida bruta do país se manteve em 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) no mês de setembro. Este é o maior nível do indicador desde março de 2021, época de gastos elevados com a pandemia de Covid-19.

O endividamento nacional sofreu uma alta de 11,2 pontos percentuais durante o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em dezembro de 2022, momento anterior à posse do atual presidente, o índice marcava 71,7% do PIB.

Este indicador engloba os compromissos financeiros do governo federal, do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e das administrações regionais. Os investidores monitoram a métrica de maneira constante para avaliar a sustentabilidade financeira do Estado. O mercado financeiro observa a atual trajetória de alta com atenção contínua.

O avanço de 4,3 pontos percentuais no acumulado deste ano tem relação direta com os gastos governamentais com juros. A taxa básica, a Selic, opera em 13,75% ao ano e passa por reduções graduais de 0,25 ponto percentual desde março.

A dívida líquida, calculada com o desconto dos ativos do governo, alcançou 70% do PIB, com um saldo total de R$ 9,4 trilhões. O número representa um aumento de 0,7 ponto percentual no mês e bate o recorde de toda a série histórica, iniciada em dezembro de 2001. No acumulado anual, a alta deste índice específico é de 4,7 pontos percentuais.

Ainda segundo a autarquia, o setor público consolidado do Brasil registrou um déficit primário de R$ 5,5 bilhões no mês de setembro. No mesmo período do ano anterior, sob o contexto de retificação do balanço, o resultado deficitário atingiu a marca de R$ 17,5 bilhões.

Esta conta abrange o Tesouro Nacional, o Banco Central, a Previdência Social, os governos locais e as empresas estatais. O resultado negativo teve impulso das contas de estados e municípios, com um déficit de R$ 5,6 bilhões, e do saldo de R$ 3,4 bilhões negativos das estatais. O governo central, em contrapartida, contabilizou um superávit de R$ 3,5 bilhões no mesmo recorte de tempo.