POLÍTICA


Alcolumbre vai propor indulto ou anistia a Bolsonaro em busca de votos da direita para se reeleger

Movimento visa estancar pressão por impeachment de ministros do STF em troca da saída de líder da prisão

Foto: Ton Molina/Agência Senado

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), articula propor um indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em troca do apoio da direita à sua reeleição para o comando da Casa, de acordo com dois aliados ouvidos pelo jornal Folha de S. Paulo. O movimento busca também estancar a pressão pelo impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

A nova bancada de direita que chegará ao Senado em fevereiro foi eleita com um discurso baseado nos ataques ao STF e na defesa do afastamento de ministros da corte, principalmente Alexandre de Moraes, relator do processo que condenou Bolsonaro. Alcolumbre é contra o impeachment e procura uma forma de contornar isso para se manter no cargo por mais dois anos.

Segundo a Folha, o plano dele é envolver os três Poderes numa “pacificação do país” após a eleição presidencial. Ele afirmou a aliados que vai conversar com o presidente Lula (PT) para defender um indulto humanitário a Bolsonaro, que está preso desde agosto de 2025 pela participação numa tentativa de golpe de Estado. O tema ainda não foi tratado na primeira conversa que tiveram nesta segunda (26), logo após a votação.

Alcolumbre disse a parlamentares que vai esperar a eleição decantar para procurar Lula e defender o indulto –um ato de clemência que depende apenas do petista. Aliados afirmam que o plano também deve aguardar as consequências da fuga de Flávio Bolsonaro (PL) do Brasil antes de ser colocado em prática.

Caso Lula não concorde com o perdão humanitário a Jair Bolsonaro, o presidente do Senado afirmou a parlamentares que trabalhará então para que uma anistia seja aprovada pelo Congresso.

Durante a atual legislatura, a oposição cobrou dele a votação desse perdão, mas ele costurou uma alternativa mais branda, que permite a redução das penas dos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 e foi aprovada no fim do ano passado. Na época, a discussão ocorreu paralelamente ao julgamento de Bolsonaro e outros líderes da trama golpista pelo STF.