ELEIÇÕES


Ao todo, trinta e três propagandas de Flávio Bolsonaro foram suspensas pelo TSE

Tribunal Superior Eleitoral removeu propagandas que disseminavam fakenews e uso ilegal de IA; 20 eram sobre o mesmo tema

Fotos: reproduçaõ/redes sociais

 

A poucos dias do pleito eleitoral deste domingo (25), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza, ao todo, a remoção de pelo menos 33 peças publicitárias de Flávio Bolsonaro (PL) entre as 714 inserções programadas. Nesta sexta-feira (23), os brasileiros encontram-se 2 dias da votação que definirá o futuro social e econômico do país.

O MundoBA preparou um guia com as remoções motivadas por desinformação para proteger o compromisso com a verdade. Paralelamente, o portal publica outro levantamento referente às propagandas da coligação de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retiradas do ar a mando judicial.

Uldurico Junior e o uso não-autorizado de Inteligência Artificial

A campanha do Partido Liberal divulgou três postagens na rede X e um vídeo no Instagram que associava Lula a facções criminosas. O material exibia um aperto de mão entre o candidato petista e o ex-deputado federal Uldurico Junior (MDB) dentro de um presídio. A parede da cela virtual continha siglas de facções criminosas.

Uldurico Júnior disputou a prefeitura de Teixeira de Freitas (BA) em 2024 e contou com o apoio público e político de Lula naquela eleição. No entanto, em 2026, Em abril de 2026, Uldurico foi preso pela Polícia Federal e pelo Ministério Público da Bahia. Ele passou a ser investigado por suspeita de integrar uma organização criminosa, negociar R$ 2 milhões para facilitar a fuga de 16 detentos de um presídio baiano e articular alianças com facções para a compra de votos.

A visita do presidente Lula à cadeia nunca aconteceu. A publicação violou as regras eleitorais que proíbem o uso de IA para simular a figura de candidatos para manipular imagens e disseminar fatos irreais.

A Justiça Eleitoral ordenou a remoção do conteúdo no dia 14 de outubro. A ministra-relatora Estela Aranha classificou o material como “conteúdo gravemente desinformativo”.

“Toque” em meninas e exame de próstata

Uma propaganda televisiva do PL divulgou a frase “as mulheres aprendem a tomar toque desde pequenas”, de fato dita por Lula, mas colocada fora de contexto para distorcer a fala do candidato petista e associá-lo, de forma enganosa, a defesa do abuso infantil.

A declaração real ocorreu durante um comício no Pará, quando Lula discursava sobre a importância do câncer de próstata. Ele apenas comparou que mulheres são ensinadas desde sempre a irem ao ginecologista, mas homens se negam a fazer o exame para prevenir o câncer.

Os vídeos publicados em rede sociais pelo deputado Nikolas Ferreira (PL) e por perfis oficiais do partido foram retirados no prazo de 24 por ordem de Estela Aranha. Depois, o TSE também vetou a veiculação de propagandas oficiais de rádio e TV que tentavam utilizar o mesmo áudio descontextualizado.

Acusações sobre fraudes no INSS

Propagandas no rádio e na televisão alegaram que o filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva — conhecido como Lulinha —, arrecadou 300 mil reais em propinas do Instituto Nacional do Seguro Social. O áudio da propaganda induzia o público a acreditar em financiamento ilícito da campanha. A iniciativa recebeu o nome de “O luxo é deles, a conta é sua”.

A investigação contra Lulinha existe na justiça. Contudo, o presidenciável não consta como réu no processo, apenas seu filho. As suspeitas ainda não possuem provas concretas ou sentença transitada em julgado.

A Corte ordenou a exclusão do conteúdo em 24 horas. Os magistrados entenderam que a propaganda violou a presunção de inocência através de deduções indiretas, sendo que o caso ainda não foi finalizado.

Recorte sobre os garis

A equipe de marketing de Flávio Bolsonaro impulsionou seis publicações sobre um discurso do presidente Lula sobre garis. Os vídeos induziam o eleitor a acreditar que o presidente menosprezava o trabalho e explorava uma suposta postura elitista do petista.

No entanto, o vídeo foi tirado do contexto. No vídeo original, Lula falava sobre a invisibilidade social do trabalho de gari, como novas oportunidades. Ele também dedicou elogios à dignidade da profissão de gari e sua importância na sociedade.

O tribunal exigiu a remoção do material por adulteração semântica. A exclusão de uma oração subordinada inverteu a mensagem principal do discurso original.

Montagem em entrevista

Uma propaganda televisiva divulgou um áudio falsificado de Lula em entrevista ao Flow Podcast. O PL alterou a ordem das falas do petista para simular confissão de crimes que nunca existiram.

A censura judicial ocorreu de forma unânime na corte. O tribunal justificou a decisão com base na usurpação do princípio da igualdade de oportunidades e no ataque à honra.

Ritual na Avenida Paulista

Aliados do PL divulgaram um vídeo em que supostamente teria tido um ritual satânico na Avenida Paulista. O partido afirmava tratar-se de uma convocação espiritual para garantir a vitória do candidato de oposição. O movimento totalizou 20 postagens nas redes sociais.

O evento exibido nas imagens não possui vínculo com o PT. A Corte afirmou que houve má-fé na disseminação do vídeo e que o episódio é uma invenção elaborada para gerar rejeição eleitoral de religiosos.

A justiça decretou a exclusão imediata das publicações por material falso.

Meta se tornou uma alternativa mais flexível — e eleitoralmente ilegal

Devido ao rigor no controle do tempo oficial de propaganda, a campanha do Partido Liberal buscou uma alternativa de alcance. A estratégia migrou para as infraestruturas digitais controladas pela corporação Meta (Instagram, Facebook e Whatsapp).

Denúncias revelaram o financiamento da entidade Elytron pelo partido por meio de canais no exterior. Segundo as acusações, a empresa utilizou Inteligência Artificial para criar milhões de perfis falsos com o objetivo de disseminar conteúdos sintéticos a favor de Flávio Bolsonaro. Esta tática aliada ao algoritmo resultou num alcance orgânico quase três vezes superior ao do candidato adversário.

A estratégia beneficiou da limitação de alcance (shadowban) aplicada à conta de Luiz Inácio Lula da Silva. Funcionários da Meta admitiram a prática em comunicações internas vazadas para a imprensa. A plataforma também recusou a criação de materiais promocionais para o PT com as suas ferramentas de Inteligência Artificial.