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Foco de Newcastle em SC faz setor defender embargo regional para proteger exportações

Governo confirmou doença em granja de Nova Itaberaba; Santa Catarina responde por 44,8% dos embarques nacionais de carne de peru

Foto: Reprodução

 

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) defendeu nesta terça-feira (200 a restrição regional de exportações avícolas. A entidade busca minimizar os impactos comerciais após a confirmação de um foco da doença de Newcastle em Nova Itaberaba, em Santa Catarina. A manifestação ocorreu por meio de um comunicado técnico destinado aos mercados importadores.

O Ministério da Agricultura confirmou o caso na sexta-feira (18), a partir de análises iniciadas no fim de setembro. O Serviço Veterinário Oficial catarinense conduziu a investigação e o Laboratório Federal de Defesa Agropecuária de São Paulo atestou a presença do vírus. A unidade paulista possui reconhecimento oficial da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).

O governo federal publicou a Portaria nº 962/2026 no sábado (19). A norma declarou estado de emergência zoossanitária por 60 dias nos municípios de Nova Itaberaba, Águas Frias, Coronel Freitas e Nova Erechim. A granja afetada sofreu interdição imediata para o sacrifício das aves e a desinfecção de instalações e equipamentos.

O comércio internacional de carnes prevê paralisações totais, estaduais, ou em áreas delimitadas. O Brasil suspendeu preventivamente as vendas externas de aves e derivados por meio do mecanismo de autoembargo. A CNA negocia a aplicação das barreiras apenas na região do foco para demonstrar o caráter isolado do episódio e evitar prejuízos em áreas limpas.

O mercado catarinense O mercado catarinense possui peso relevante na balança comercial do setor avícola. O estado exportou 29,5 mil toneladas de carne de peru em 2025, volume equivalente a 44,8% do total embarcado pelo país. Na comercialização de frango, Santa Catarina ocupou a segunda posição nacional com 1,20 milhão de toneladas, ou 23,3% da fatia brasileira.

A receita estadual com a venda externa de carne de aves somou US$ 2,1 bilhões em 2025. Os dados estatísticos pertencem à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e constam no documento emitido pela CNA.

O Brasil acumulou 5.444 investigações sobre síndromes respiratórias aviárias desde 2022. Apenas no início de 2026, os técnicos realizaram 324 análises em animais com suspeitas. A confederação avalia os números como prova da capacidade de detecção precoce do sistema sanitário nacional.

As autoridades monitoram a zona interditada durante o ciclo de incubação de 21 dias. Se os fiscais descartarem novos contágios, o país recupera o reconhecimento de território livre da doença em 90 dias, conforme a regra internacional. Os registros anteriores do vírus ocorreram em 2006, em propriedades de subsistência, e em 2024, em uma granja comercial gaúcha.

O consumo de carne e ovos com selo de inspeção oficial continua seguro e sem contraindicações para a população. A enfermidade causa alterações neurológicas e mortalidade elevada nas aves, mas provoca apenas conjuntivite passageira em humanos. A CNA orienta os produtores rurais a reforçar o controle de visitantes e a desinfecção de veículos para manter a biosseguridade das granjas.