ELEIÇÕES


Questionado sobre Nunes Marques, Flávio evita resposta direta e acusa Moraes de decisões político-partidárias

Candidato do PL à evita comentar suspeitas contra juiz indicado pelo pai, acusa magistrado de articulação política para Lula e cobra cortes no Judiciário

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Fotos: Rosinei Coutinho/STF

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) evitou apoiar a investigação do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). A postura ocorreu na sexta-feira (16), em sabatina com a jornalista Renata Lo Prete na TV Globo.

​A apresentadora questionou o político sobre a relação de Nunes Marques com o banqueiro Daniel Vorcaro. O contexto envolve mensagens no celular do empresário sobre pagamentos de despesas do magistrado e a contratação do filho dele.

​Flávio omitiu uma resposta direta sobre o juiz indicado ao STF por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O candidato respondeu de forma genérica sobre o cumprimento da legislação brasileira.

​”Todo mundo tem que estar abaixo da lei. Esse é o problema do Brasil hoje. O problema do Brasil é que as pessoas acham que estão acima da lei. A lei tem que valer para todo mundo”, respondeu.

​Em vez de avaliar o caso de Nunes Marques, o senador direcionou as críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Ele classificou o integrante da Corte como articulador político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

​”Hoje, o que está acontecendo é que Alexandre de Moraes virou o articulador político do Lula em Brasília. Ele que fez as pazes do Davi com o Lula, o presidente do Senado junto ao presidente Lula, e hoje estão todos unidos aí a favor da reeleição do Lula”, disse. O candidato fez referência a Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

​Flávio acusou Moraes de perseguição política e proteção a aliados do governo federal. As alegações foram feitas sem a apresentação de provas comprobatórias durante a entrevista.

​”Não dá para um juiz como Alexandre de Moraes continuar dando canetada, interferindo em um monte de coisa, perseguindo adversários políticos do atual governo, e os amigos do Lula no Supremo Tribunal Federal se protegendo para que as investigações não avancem sobre eles”, afirmou.

​Para o político, a conduta de alguns magistrados destrói a credibilidade do Poder Judiciário. O candidato defendeu a aplicação da Lei 1.079 para punir ministros com atuação político-partidária em processos.

​”Por exemplo, a atuação político-partidária. É o que nós vemos em alguns ministros do Supremo”, declarou.

​Ele usou Moraes como exemplo de juiz que omite a suspeição. “Tomar decisões quando obviamente deveria se declarar suspeito para tomar essas decisões. Foi o que Alexandre de Moraes mais fez, tomou decisões perseguindo adversários que ele predeterminava”, acrescentou.

​A responsabilização por crimes de responsabilidade foi cobrada na sequência. “Não dá para admitir um ministro do Supremo tendo uma atuação político-partidária. Então, qualquer pessoa, qualquer ministro do Supremo que infrinja a lei tem que, obviamente, responder por isso”, concluiu.

​Além dos ataques aos ministros, o senador exigiu a participação do Judiciário no corte de gastos públicos. O objetivo apontado é combater privilégios estatais com custo elevado para o país.

​”Eu acho que o Judiciário também tem que entrar junto com o Legislativo e o Executivo, cada um dando a sua parcela de sacrifício, inclusive para combater os privilégios, que hoje têm um custo astronômico”, declarou.

​Apesar das críticas, Flávio ressaltou a necessidade de preservação da Suprema Corte como instituição. “O que eu tenho dito é o seguinte: do jeito que está hoje, de fato, nós temos que proteger a instituição Supremo Tribunal Federal”, disse.

 

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