ELEIÇÕES


Mendonça suspende propaganda de Lula que associa Flávio Bolsonaro a milícias

Ministro do TSE apontou falta de provas sobre vínculo do senador com organizações criminosas e questionou uso de inteligência artificial em depoimentos simulados

Foto: Rousinei Coutinho/STF

 

O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça, determinou na quinta-feira (15) a suspensão de uma propaganda da campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que acusa o senador Flávio Bolsonaro (PL) de ter ligação com milícias.

Na decisão, o magistrado questionou a ausência de provas sobre o vínculo e o uso de figuras criadas por inteligência artificial para simular relatos de pessoas reais.

A propaganda de Lula foi transmitida na última terça-feira (13) no horário eleitoral gratuito e apresentava supostos depoimentos de vítimas de milícias e reportagens que discutem o avanço do crime na política, intercalando esses trechos com pronunciamentos antigos do senador.

No material, é dito que Flávio não teria condições de combater o crime organizado por supostamente integrar esse meio.

André Mendonça interpretou que a propaganda atribui ao parlamentar um envolvimento direto com atividades criminosas sem apresentar provas que sustentem a afirmação.

O ministro atendeu o pedido feito pela campanha de Flávio e determinou a suspensão da propaganda, com multa de R$ 10 mil por veiculação, caso ela volte a ser exibida.“A propaganda desenvolve narrativa estruturada mediante a sucessão de depoimentos sobre práticas criminosas atribuídas a milícias, fragmentos de declarações do candidato, notícias jornalísticas e manifestações opinativas, conduzindo o espectador à conclusão de que Flávio Bolsonaro mantém vinculação com essas organizações criminosas”, escreveu o ministro.

“A existência de episódios envolvendo determinadas pessoas identificadas como integrantes de organizações criminosas, assim como a reprodução de pronunciamentos antigos ou de opiniões jornalísticas, não permite, por si só, concluir que o candidato integra o crime organizado ou mantém compromisso com suas atividades ilícitas”, destacou.