SALVADOR


Cantor do hit ‘Milla’, Netinho morre duas semanas após retomar tratamento contra câncer

Artista de 60 anos estava internado no Hospital Aliança Star desde após recidiva do linfoma não Hodgkin, diagnosticado em 2025

Foto: Reprodução/Instagram

 

O cantor Netinho morreu nesta terça-feira (13), em Salvador, aos 60 anos, menos de duas semanas após anunciar uma recidiva do linfoma não Hodgkin, tipo de câncer que afeta as células do sistema linfático. Ele estava internado desde o fim de setembro no Hospital Aliança Star após a recidiva da doença.

A morte foi confirmada por meio de um comunicado oficial publicado no Instagram do artista. “É com uma tristeza que corta a alma que comunicamos o falecimento do cantor Netinho, ocorrido na manhã de hoje. Nos últimos meses, Netinho enfrentava um linfoma não Hodgkin do tipo B, que evoluiu para um quadro de falência renal e disfunção múltipla de órgãos”, diz a nota.

Segundo o texto, o velório e a cremação serão restritos a familiares e amigos próximos, a pedido do próprio cantor.
Ainda conforme o comunicado, Netinho partiu “tranquilo”, como costumava repetir nos últimos meses. “Partirei feliz, realizado, pois a vida me deu muito mais do que eu sonhei. Levarei comigo o sorriso de cada fã que foi feliz com a minha arte”, dizia o artista, de acordo com o comunicado.

Ao retomar as sessões de quimioterapia contra o tumor, no fim de setembro, o artista afirmou que decidiu se afastar temporariamente das redes sociais para concentrar todas as suas energias no tratamento e na busca pela recuperação.

O novo reaparecimento da doença ocorreu cerca de um ano e meio depois do primeiro diagnóstico. Em março de 2025, Netinho descobriu que tinha linfoma não Hodgkin e precisou passar por um período de internação para tratar o quadro.

Conhecido nacionalmente pelo sucesso do hit ‘Milla’, ele teve que cancelar compromissos e apresentações previstas para o Carnaval enquanto se dedicava ao tratamento.

Na ocasião, o cantor permaneceu aproximadamente 25 dias no hospital. Antes de descobrir o diagnóstico, ele havia apresentado dores nas pernas e nas costas, além de dificuldades para caminhar. Após receber alta, Netinho chegou a retomar os shows antes da volta do tumor.

 

Carreira

Nascido em 12 de julho de 1966 em Santo Antônio de Jesus, Ernesto de Souza Andrade Junior iniciou a carreira em 1988, como vocalista da Banda Beijo, em meio à expansão da axé music. Logo ganhou projeção nacional com seu primeiro sucesso, ‘Beijo na Boca’.

Após os discos Badameiro (1991) e Aconteceu, Axé Music (1992), seguiu carreira solo.

Em 1993, lançou o primeiro álbum solo, Um Beijo pra Você, que emplacou sucessos como ‘Menina’, tema da novela Tropicaliente, da TV Globo. No ano seguinte, lançou Nada Vai Nos Separar, que trouxe a música ‘Como’, incluída na trilha sonora da novela História de Amor.

Em 1995, lançou o álbum Netinho. No ano seguinte, gravou Netinho ao Vivo! (1996), que popularizou ‘Milla’, um dos maiores sucessos de sua carreira. Em 1997, lançou Me Leva, com a música ‘Pra Te Ter Aqui’, tema da novela Corpo Dourado.

Em 1998, apresentou o projeto Rádio Brasil e lançou o álbum Clareou, que reuniu diferentes estilos musicais. A canção ‘Indecisão’ integrou a trilha sonora da novela Andando nas Nuvens, enquanto ‘Pra Sempre Eu Vou Te Amar’, versão de uma música de Phil Collins, também ganhou destaque. No mesmo período, Netinho relançou a Banda Beijo e apresentou a cantora Gilmelândia ao público nacional.

Em 2000, levou seu trio elétrico a Lisboa, em Portugal, durante as comemorações dos 500 anos do Brasil. Também gravou ‘Química Perfeita’, em espanhol, em dueto com Ivete Sangalo, música incluída na trilha da novela As Filhas da Mãe.

Em 2020, Netinho gerou polêmica ao criticar a comunidade LGBT e comparar o Carnaval de Salvador a Sodoma e Gomorra. No ano seguinte, foi alvo de críticas do compositor Manno Góes, autor de ‘Milla’, após usar a música em um protesto pró-Jair Bolsonaro.

Góes afirmou que o cantor não deveria continuar cantando a canção e fez declarações ofensivas contra ele. Posteriormente, Netinho processou o compositor por danos morais.