ECONOMIA


Endividamento das famílias recua para 81,7% em setembro e marca primeira queda do ano

Pesquisa da CNC aponta redução da inadimplência para 29,6%, mas tempo médio de atraso nos pagamentos atinge 65,3 dias

Foto: Assessoria

O percentual de famílias brasileiras endividadas recuou de 82% em agosto para 81,7% em setembro, na primeira que dado indicador em 2026. O dado integra a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) nesta quinta-feira (8).

A taxa de inadimplência diminuiu 0,3 percentual e fechou em 29,65, o menor nível desde o mês de março. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, atribuiu a retração gradual ao recuo da taxa básica de juros (Selic), atualmente em 13,75% ao ano.

“O que percebemos, ao longo de 2026, um processo de recuo da taxa de juros que parece começar a se refletir. Mas, na ponta, os juros ainda estão muito altos”, afirmou Bentes ao Correio Braziliense. O economista declarou que o resultado referente ao endividamento é modesto, com destaque principal para a diminuição das famílias com contas em atraso.

“Portanto, eu não vejo um cenário de crédito tão crítico e tão adverso quanto aquele que ocorreu no início do segundo semestre desse ano”, acrescentou Bentes. O especialista ressaltou que a necessidade de aguardar os próximos meses para verificar se a trajetória representa uma tendência ou um fato pontual.

Sobre o programa Desenrola, do governo federal, Bentes alertou que a iniciativa ajudou no curto prazo, mas sem garantias contra o retorno das dívidas no orçamento familiar. Por sua vez, a fatia de famílias sem condições de quitar os débitos em atraso ficou estável em 12,5%, o que interrompeu dois meses consecutivos de alta.

Em contrapartida, o tempo médio de atraso subiu pelo segundo mês seguido e atingiu 65,3 dias, o maior patamar desde novembro de 2024 (65,5 dias). A faixa acima de 90 dias de atraso concentrou 48,9% do total dos casos.

O grupo com dívidas comprometidas por mais de um ano subiu para 33,8%, condição que reduz a parcela mensal e alivia o orçamento. A porcentagem de consumidores declarados muito endividados caiu para 17,3%, enquanto os sem dívidas aumentaram para 18,1%.

Em nota, a CNC destacou o caráter subjetivo da percepção de endividamento, sem caracterizar necessariamente superendividamento. O presidente do Sistema CNC, José Roberto Tadros, afirmou que o resultado dá um pequeno respiro às famílias, mas a continuidade do movimento exige juros mais compatíveis com a realidade de famílias e empresas.

A entidade ponderou ainda que a Medida Provisória (MP) que impediu a operação de apostas virtuais no brasil entrou em vigor no fim de setembro. Os impactos econômicos dessa restrição passarão por avaliação na pesquisa do mês de outubro.