ELEIÇÕES


Nordeste recebeu 27 milhões de postagens ofensivas após 1º turno, aponta levantamento

Ataques foram registrados nas redes sociais nas 72 horas seguintes ao resultado da eleição presidencial, segundo a Ativaweb DataLab

Foto: Reprodução/Redes sociais

 

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial foi seguido por uma onda de ataques contra o Nordeste e os nordestinos nas redes sociais. Um levantamento da Ativaweb DataLab identificou 27 milhões de postagens consideradas hostis à região nas 72 horas após a votação.

O número corresponde a 82,2% das 32,8 milhões de menções, links e compartilhamentos monitorados no Facebook, Instagram, TikTok, X, Kwai e YouTube que relacionavam o Nordeste ao resultado das urnas. As demais 5,8 milhões de manifestações foram classificadas como neutras ou favoráveis à região.

A média registrada durante o período foi de 456 mil menções por hora, o equivalente a mais de 7,6 mil publicações por minuto.

A região foi alvo das manifestações após concentrar a maior votação proporcional em Lula (PT) no primeiro turno. O presidente recebeu 63,7% dos votos nordestinos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) teve 30,8%.

De acordo com a análise por amostragem feita pelo levantamento, os ataques não se limitaram a palavrões. Parte das publicações reproduziu estereótipos relacionados à pobreza, dependência política e suposta inferioridade intelectual dos nordestinos. As manifestações foram feitas por usuários de diferentes regiões do país, com forte presença de perfis do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Entre os conteúdos classificados como ofensivos, 26,9% expressavam vergonha ou autodepreciação em relação ao Nordeste. O estigma associado à pobreza e à dependência política apareceu em 22,1% dos casos, enquanto 18,3% das ocorrências continham ataques relacionados à capacidade intelectual dos nordestinos.

Outros 12,5% das publicações utilizaram termos de desumanização, comparando o Nordeste a “doença”, “lixo” ou “câncer do Brasil”. O mesmo percentual reuniu manifestações que defendiam algum tipo de separação territorial, como divisão do país, segregação regional ou construção de muros.

O levantamento também encontrou casos de nordestinos reproduzindo discursos depreciativos contra a própria região, incluindo manifestações de vergonha de pertencer ao Nordeste.

A legislação brasileira prevê punição para quem pratica ou incita discriminação ou preconceito por procedência nacional. A pena é agravada quando esse tipo de conteúdo é divulgado por meio de redes sociais.