ELEIÇÕES


Autor do impeachment de Dilma declara voto em Lula: ‘Com Flávio é precipício’

Reale Júnior classifica apoio ao petista no segundo turno como ato de preservação do Estado de Direito

Fotos: Ananda Borges/Agência Câmara | Ricardo Stuckert

O jurista e ex-ministro da Justiça do governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Miguel Reale Júnior, declarou apoio a Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial. Segundo o Reale, a decisão busca evitar a “volta da intranquilidade” registrada sob a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos de prisão.

Em declaração, o jurista justificou a escolha com foco na estabilidade das instituições públicas. “É fundamental que Lula seja eleito nosso presidente porque teremos a garantia da manutenção da democracia, do respeito ao Estado de Direito, da não instalação de um Estado policialesco e da salvaguarda da nossa soberania”, declarou Reale Júnior.

O ex-ministro reconheceu o desgaste do PT e o sentimento de alteração no eleitorado, mas ponderou que essa busca não pode conduzi o país ao risco. “Com Flávio é precipício”, afirmou.

“É uma pessoa que não se conhece, irrelevante como senador, irrelevante como político. Não sabemos quais são as suas ideias, nem quem lhe dá ideias”, afirmou Reale Júnior ao criticar a falta de clareza nas propostas de Flávio Bolsonaro.

A manifestação ocorreu após Flávio Bolsonaro delcarar intenção de “redemocratizar o país” e alterar a Constituição se vencer a disputa. Ao detalhar a medida, o candidato citou propostas de emenda sobre redução da maioridade penal, reformas do Judiciário, política e tributária, além do fim da reeleição presidencial.

Para Reade Júnior, a declaração do presidenciável “não assusta, mas mostra ignorância” a respeito do funcionamento das instituições. O jurista classificou os exemplos citados como “pífios” e sem contribuição para o aprimoramento democrático.

O ex-ministro afirmou que não tem arrependimento por integrar o processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT), em 2016, nem observa relação entre o fato e a ascensão da extrema-direita. A peça jurídica teve autoria dividida com Hélio Bicudo e Janaina Paschoal, atual vereadora de São Paulo.

“Não há nenhum arrependimento. O PT teria se afundado muito mais se Dilma não tivesse sido afastada, porque nós estávamos numa recessão de -7% e ela fechou os olhos para corrupção na Petrobras e na Eletrobras”, declarou.

Reale Júnior também figurou como primeiro signatário do pedido de impeachment contra Jair Bolsonaro protocolado após a CPI da Covid. O jurista participou, igualmente, da elaboração do pedido de afastamento de Fernando Collor (PRN).

“Não é porque agora eu voto no Lula que estou arrependido de ter tirado a Dilma. Pelo contrário, é uma linha de coerência”, concluiu o ex-ministro.