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‘Se perdeu tudo’: Incêndio destrói 20 anos de pesquisas e amostras de saúde na UFPE

Prejuízo é estimado em R$ 100 milhões e PF investiga suspeita de motivação política após ameaças atribuídas a apoiadores de Flávio Bolsonaro

Foto: Repodução/Redes Sociais

Um incêndio de grandes proporções destruiu, na noite dessa quarta-feira (7), o prédio da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), no Recife. O acontecimento não deixou feridos, mas destruiu cerca de R$ 100 milhões em equipamentos e pesquisas em saúde sob a suspeita de ação criminosa.

A Polícia Federal (PF) instaurou um inquérito para apurar as causas do fogo. A investigação A investigação ocorre após o deputado federal eleito Jones Manoel (PSOL) denunciar ameaças enviadas a estudantes que realizaram um ato em apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

De acordo com as denúncias, as mensagens continham ameaças de explosão ao prédio e citações à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL). A veracidade dos registros segue sob análise das autoridades competentes.

O edifício abrigava laboratórios das áreas de fármacos, genética e informática, com estudos voltados a doenças como câncer, obesidade, autismo e TDAH. O reitor da UFPE, Alfredo Gomes, confirmou a perda de acervos acumulados ao longo de 20 anos.

“São muitos equipamentos, muitos projetos de iniciação científica, mestrado e doutorado. Então a gente tinha ali câmeras de análise tridimensional, de movimento corpotal, mais voltada para a performance humana, comportamento motor e biomecânica, além de esporte, saúde, atividade física, TDAH, autismo e se perdeu tudo”, disse a professora Melissa Leandro Celestino.

O professor aposentado Marcos Figueiredo também lamentou a destruição das instalações científicas. “O papel da universidade é produzir para a sociedade, e, com esse incêndio, todo esse conhecimento é perdido e não se recupera mais ou vai se recuperar a muito longo prazo”, afirmou.

O ministro da Educação, Leonardo Barchini, ofereceu apoio à instituição e declarou que o ministério acompanha as apurações. Paralelamente, o advogado-geral da União, Jorge Messias, determinou a criação de uma comissão de procuradores para a análise do caso.

Este foi o terceiro incêndio registrado no campus da UFPE em pouco mais de uma semana. Ocorrências anteriores atingiram o Departamento de Física, em 30 de setembro, e o Centro de Biociências, no domingo (4), ambas sem vítimas.