BRASIL


Operação Jubilados desarticula cúpula do PCC que mapeava rivais no DF

Ação mira 15 investigados do grupo "Faculdade de Brasília", que registrava dados do Comando Vermelho em livro

Foto: Reprodução/Redes sociais

Nesta quinta-feira (8), a Força de Combate ao Crime Organizo do Distrito Federal (FICCO/DF) deflagrou a Operação jubilados contra 15 pessoas de uma cúpula do Primeiro Comando da Capital (PCC). O núcleo, composto por cerca de 80 integrantes e denominado “Faculdade de Brasília”, mantinha fotos, endereços e histórico de rivais do Comando Vermelho (CV) em um livro de capa preta.

A comunicação entre os investigados ocorria em grupos de aplicativo de mensagens para o repasse de ordens, informações e arrecadação financeira. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), a estrutura possuía divisão de tarefas para controle de armas, cadastro, disciplina, recrutamento e expansão da facção.

Além do registro de inimigos classificados como “lixos”, a organização mantinha um livro de capa branca para o cadastro de novos associados. A entrada no grupo exigia o aval de um membro antigo para “apadrinhar” o recém-chegado.

A delegada Agatha Natasha Santos, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco/Decor), informou que um dos investigados confirmou a realização de rifas. De acordo com a investigadora, “não foi possível precisar o valor dessa operação, uma vez que o dinheiro não passa por contas bancárias e migra para a informalidade”.

O montante arrecadado financiava a compra da “cobal” (sacola com alimentos, objetos de higiene pessoal, limpeza e vestuário) para custodiados no Complexo Penitenciário da Papuda. A investigação apontou também que a facção local Comboio do Cão mantém neutralidade no conflito.

Outro braço do grupo atuava na expansão de venda de drogas, chamados internamente de “lojas”. Na maioria dos casos, esses pontos funcionavam nas residências dos próprios suspeitos.

Os alvos respondem ao crime de integrar organização criminosa, previsto na Lei nº 12.850/2013, com pena de três a oito anos de prisão e multa. A ação reúne a Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e policiais penais por meio da FICCO/DF, além da Polícia Civil de São Paulo.