BRASIL


Três em cada quatro brasileiros cortam gastos para pagar custos da moradia, aponta pesquisa

Levantamento realizado em 22 países mostra que 34% precisaram reduzir despesas essenciais, como alimentação, roupas e medicamentos

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

 

Três em cada quatro brasileiros, ou 74%, reduziram pelo menos uma despesa no último ano para conseguir arcar com os custos da moradia. O percentual é próximo da média registrada nos 22 países analisados, de 75%. Entre os brasileiros, 34% afirmaram ter cortado gastos considerados essenciais, como alimentação, vestuário ou medicamentos, índice acima da média global de 33%.

Os dados fazem parte do estudo “Lar a Que Custo? Brasil — Esperança permanece forte, mas a segurança habitacional segue frágil”, realizado pela organização Habitat para a Humanidade. A pesquisa ouviu 1.400 adultos no Brasil entre abril e junho deste ano. Entre os entrevistados, 37% disseram ter reduzido despesas com alimentação para conseguir pagar a moradia. O percentual chega a 48% entre quem não possui casa própria.

A pesquisa também aponta que 56% dos brasileiros temem que algum problema inesperado comprometa a capacidade de permanecer onde vivem. O índice é oito pontos percentuais superior à média dos países analisados, de 48%. A insegurança é maior entre pessoas que vivem em moradias informais: 70% estão insatisfeitas com a situação habitacional, ante 37% na amostra geral.

A situação de moradia também aparece entre as principais fontes de estresse para 23% dos brasileiros. Entre moradores de arranjos informais, o percentual chega a 48%. Nesse grupo, 40% relatam riscos à saúde relacionados às condições da habitação, contra 22% no conjunto dos entrevistados.

Apesar das dificuldades, 92% dos brasileiros esperam ter um imóvel próprio em algum momento da vida, enquanto a média dos 22 países é de 76%. Ao mesmo tempo, 82% consideram que o aumento dos custos habitacionais dificulta a conquista da casa própria. Mesmo diante desse cenário, 79% acreditam que sua situação habitacional estará melhor nos próximos três anos, acima da média global de 68%.

Com informações do jornal O Globo