ECONOMIA


Mineradora BCM adquire fábrica em feira de Santana por R$ 1 em estratégia contra cerco chinês a terras raras

Planta em cidade baiana vai abastecer projeto de extração no Amazonas e integrar cadeia de insumos no Brasil

Foto: Bloomberg

A mineradora australiana Brazilian Critical Minerals (BCM) assinou um acordo vinculante nesta segunda-feira (5) para adquirir 90% da fábrica de sulfato de magnésio Sais Nordeste, em Feira de Santana (BA). A operação busca reduzir a dependência de insumos da China para o desenvolvimento do projeto de terras raras Ema, localizado em Apuí (AM).

A transação ocorreu pelo valo nominal de R$ 1 por meio da subsidiária Mineração BBX do Brasil. A unidade industrial baiana está com atividades suspensas desde fevereiro e em processo de recuperação judicial, com passivos calculados em cerca de R$ 15,3 milhões.

O plano da BCM prevê o financiamento da reestruturação operacional da fábrica e a renegociação das dívidas tributárias federais e estaduais para quitação ao longo de dez anos. Os atuais sócios da Sais Nordeste manterão 10% do capital, enquanto a transferência do controle do ativo depende de homologação judicial e de aprovações regulatórias.

A capacidade inicial da planta em Feira de Santana deve suprir aproximadamente 50% da necessidade de sulfato de magnésio do projeto Ema nos primeiros anos de operação. Com adequações técnicas na estrutura, a companhia projeta elevar o fornecimento para mais de 100% da demanda estimada.

A aquisição fundamenta-se no endurecimento dos controles de exportação aplicados pela China ao setor de terras raras em 2026, que passaram a cobrir equipamentos e consumíveis técnicos. O reagente baiano será utilizado no Amazonas para recuperar elementos químicos contidos em argilas de adsorção iônica e produzir carbonato misto de terras raras (MREC).

A BCM também fechou contratos para assegurar a matéria-prima da fábrica no mercado interno brasileiro. O ácido sulfúrico sairá da unidade da Unigel em Camaçari (BA), localizada a 80 quilômetros da planta, e o óxido de magnésio virá de depósitos na região de Brumado (BA), a 560 quilômetros.

Para a direção da mineradora, o domínio da produção de insumos no país antecipa etapas estratégicas do processo produtivo. “Antes de podermos fornecer para a emergente indústria de separação e refino de terras raras fora da China, precisamos primeiro garantir que Ema possa produzir MREC de forma confiável”, afirmou Andrew Reid, diretor-executivo da BCM.