SALVADOR


Cúpula da Bamor é denunciada por organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça

MP aponta que integrantes da torcida teriam submetido duas pessoas a sessões de violência física e psicológica na sede da organizada, em julho deste ano

Foto: Rafael Rodrigues/ECB

 

O Ministério Público da Bahia denunciou à Justiça dez integrantes da Bamor, maior organizada do Bahia, pelos crimes de organização criminosa, tortura, roubo, extorsão e ameaça. Segundo o MP, duas vítimas foram submetidas, em dias consecutivos, a sessões de violência física e psicológica no interior da sede da torcida, em julho deste ano. Elas teriam sido obrigadas a confessar supostas irregularidades mediante agressões, ameaças de morte e uso de instrumentos como tacos de beisebol, martelo, faca e alicate.

Segundo a Promotoria, entre os denunciados estão o presidente da agremiação, Matheus Pires Castro, o vice-presidente Luciano da Silva Venâncio e o ex-policial militar Fernando Santana Esquivel, apontado como membro da torcida. A reportagem não conseguiu contato com as defesas dos integrantes citados, que estão presos no Complexo Penitenciário da Mata Escura, em Salvador.

No pedido, o MP requer a condenação pelos crimes atribuídos a cada um deles, a manutenção das respectivas prisões preventivas, o pagamento de indenização às vítimas por danos materiais e morais e a fixação de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 2 milhões.

A denúncia foi protocolada na última sexta-feira (2) pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) como resultado da Operação Inquisição.

Também são acusados Gabriel Pereira Silva, diretor-geral; Daniel Sena Duarte, diretor de sede; Ricardo Henrique Almeida da Silva, diretor de marketing; Diego Allan Conceição Sacramento, diretor de patrimônio; Ivã Cleiton de Jesus Santos, diretor de bateria; Luiz Wagner da Silva Santana, diretor de sede; e Alan Rafael Regis Alves de Aquino, diretor financeiro.

De acordo com a acusação, todos integravam uma estrutura criminosa estável, organizada e com divisão de funções. A denúncia descreve que os investigados teriam praticado os crimes em contexto de punição privada contra pessoas que seriam responsáveis por supostos desvios internos.

As agressões foram praticadas na sede da Bamor, no bairro de Nazaré, na capital baiana. O espaço foi fechado após ação policial.

O MP informou que os denunciados teriam utilizado a estrutura da torcida organizada para submeter duas pessoas a sessões de violência física e psicológica, com o objetivo de obter confissões sobre supostas irregularidades relacionadas ao sistema de gestão de associados da entidade.

Conforme as investigações, os agressores agiram de forma coordenada, com divisão de tarefas e utilização da sede da torcida para a prática dos crimes.