SALVADOR


Feiras livres mantêm a alma e a culinária de Salvador 

Espaços tradicionais da capital baiana preservam sabores, histórias e relações que atravessam gerações 

Foto: Assessoria/Codecon

As feiras livres de Salvador vão muito além do comércio. Entre barracas, aromas, temperos e negociações, esses espaços preservam tradições, receitas e relações que fazem parte da identidade cultural da cidade. Feiras como São Joaquim, Sete Portas e Japão funcionam como verdadeiros patrimônios vivos da capital baiana. 

Feira de São Joaquim 

Considerada a maior feira livre da Bahia, a Feira de São Joaquim tem raízes no século XIX e ganhou a configuração atual após o incêndio que destruiu a antiga Feira de Água de Meninos, em 1964. 

O espaço é referência para quem busca ingredientes típicos da culinária baiana, especialmente para o tradicional caruru de Cosme e Damião. Entre os comerciantes está Manuel Otávio de Araújo Neres, 65 anos, que trabalha no local desde os 16. 

“Eu cheguei aqui em 1976 para ajudar um primo. Fiz Escola de Engenharia e curso no Senai, mas optei por ficar, montei meu próprio comércio e estou até hoje”, conta o comerciante, que vende camarão seco, dendê e coco ralado. 

Sete Portas 

Inaugurada em 1930, a Feira das Sete Portas nasceu em meio à expansão de Salvador e se consolidou como um importante ponto de comércio popular. 

Para Augusto Cerqueira da Costa, 73 anos, a relação com o espaço ultrapassa o trabalho. Há 45 anos na feira, ele diz ter criado uma ligação difícil de romper. “Eu me apeguei a esse lugar. Não sei se por amor, já que amor é uma coisa muito ampla, mas com certeza por uma ligação forte que não me deixa tomar essa decisão”, afirma. 

Além dos produtos para o caruru, a feira também é conhecida pelas tradicionais barracas que servem feijoada nas primeiras horas da manhã. 

Feira do Japão 

No coração da Liberdade, a Feira do Japão também carrega uma história peculiar. O nome surgiu a partir da presença de imigrantes e descendentes de japoneses que, a partir da década de 1950, atuavam na região com atividades ligadas à agricultura e à venda de hortaliças. 

Hoje, o espaço reúne produtos para o preparo de pratos típicos, alimentos, utensílios domésticos e itens curiosos. Entre eles estão os famosos temperos “Pega Marido” e “Pega Esposa”, vendidos com bom humor pelos comerciantes. 

Tradição que alimenta 

Além de movimentarem a economia e garantirem renda para milhares de famílias, as feiras contribuem para a segurança alimentar e preservam hábitos que atravessam gerações. 

Em setembro, com a chegada das celebrações de Cosme e Damião, esses espaços ganham ainda mais movimento. O caruru, símbolo da culinária e da religiosidade baiana, transforma as feiras em pontos de encontro, memória e resistência cultural.