ELEIÇÕES


Direita e petistas protestam juntos contra Jerônimo durante caminhada de Lula em Salvador

Faixas de "Lula sim, Jero não", menções ao Caso Master e apoio a Flávio Bolsonaro marcam ato político na orla da capital baiana

Fotos: Eduardo Costa / MundoBA

O presidente e candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o governador e candidato à reeleição Jerônimo Rodrigues (PT) enfrentaram manifestações diversas durante uma caminhada na orla de Salvador na tarde desta terça-feira (29). O ato na Avenida Oceânica registrou protestos da oposição e demonstrações de insatisfação da própria base petista.

A caminhada registrou divisões na própria base de apoio. Apoiadores do PT estenderam cartazes com os dizeres “Lula sim, Jero não”, uma oposição à reeleição do atual governador, cuja campanha é apoiada pelo presidente Lula.

As investigações do Caso Master também motivaram atos no percurso. Moradores de um apartamento arremessaram papéis com denúncias contra o secretário do Meio Ambiente e coordenador da campanha de Jerônimo Rodrigues, Eduardo Sodré.

O folheto traz o logotipo do Banco Master e imagens de Jerônimo Rodrigues, Lula, do senador Jaques Wagner (PT) e de Sodré. Apesar da associação visual, apenas Wagner e Sodré enfrentam investigações abertas da Polícia Federal no inquérito até o momento de publicação desta matéria.

Lula e Jerônimo não possuem citações formais como alvos da apuração. Sodré, por sua vez, é alvo da Operação Compliance Zero por suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. A polícia apura cobranças de mais de 5 milhões de reais feitas pelo secretário e analisa repasses milionários de origem suspeita.

O ex-prefeito e candidato a governador do estado da bahia, ACM Neto (União Brasil), também sofre investigação no Caso Master e teve os sigilos quebrados pelo Supremo Tribunal Federal. O político, contudo, não foi ilustrado no panfleto distribuído no protesto contra os petistas.

Em outro momento de tensão, moradores de um apartamento estenderam, na sacada, um cartaz com o número 22. Os manifestantes foram alvos de vaias e gritos de “Lula” por parte dos apoiadores que acompanhavam a caminhada na rua.

O número 22 faz referência ao senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL), investigado no “Caso Master” por suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.