MUNDO


Israel elimina chefe militar do Hamas em Gaza e faz novas ameaças a líderes no exterior

Izz al-Din Al-Beik foi localizado na Cidade de Gaza nesta terça-feira; Grupo acusa rival de violar acordo de paz

Foto: UN News

Um ataque aéreo de Israel matou o chefe do braço armado do Hamas no norte de Gaza nesta terça-feira (29). As autoridades israelenses e o próprio grupo confirmaram a morte de Izz al-Din Al-Beik, acusado por Israel de planejar o ataque de 7 de outubro de 2023.

A ação militar atingiu um edifício residencial no bairro de Nasr, na Cidade de Gaza, ao amanhecer. Uma segunda pessoa morreu devido aos ferimentos, e um novo ataque no campo de Jabalia causou a morte de outro indivíduo, o que elevou o total do dia para pelo menos três mortos.

O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, declarou que as Forças Armadas vão perseguir dirigentes do grupo residentes fora do território palestino.

“Os líderes do Hamas no exterior também estão na mira. Nenhum desses assassinos desprezíveis, que desempenharam um papel central no massacre do 7 de Outubro, deveria morrer tranquilamente em sua cama”, afirmou Katz.

As Forças Armadas israelenses declararam ter matado pelo menos 20 integrantes do Hamas neste mês. O grupo negou intenção de realizar novos ataques ou reconstruir arsenal, e acusou Israel de minar o acordo de paz.

Também nesta terça-feira, moradores do campo de Nuseirat sepultaram os restos mortais de 41 pessoas mortas por disparos israelenses há quase três anos. Os corpos passaram por recente retirada dos escombros.

“Há uma mistura de sentimentos: alívio, tristeza e dor. Mas, graças a Deus, o fogo em meu coração diminuiu um pouco, porque agora meu marido tem um túmulo que eu e meus filhos órfãos podemos visitar”, disse Areej Farajallah, que perdeu o marido no ataque de 31 de outubro de 2023.

As autoridades locais estimam que mais de 8.000 corpos continuam sob as ruínas. No mês passado, socorristas retiraram os restos mortais de 112 pessoas do mesmo clã na Cidade de Gaza.

“Com equipamentos mínimos, os restos mortais foram retirados após horas de trabalho. Recuperamos o que restava de ossos, alguns crânios e cabelos, o que torna extremamente difícil identificá-los”, relatou Rami Al-Ayedi, do Serviço de Defesa Civil de Gaza.

O cessar-fogo mediado pelos EUA não teve avanços para o desarme do Hamas ou a retirada das tropas israelenses. Pelo menos 1.400 palestinos e quatro soldados israelenses morreram no território desde a trégua.

As autoridades palestinas contabilizam mais de 73 mil mortos na ofensiva israelense. O conflito teve início após a ação do Hamas que matou cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel em outubro de 2023.