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População global aprova a ONU apesar de discursos de crise institucional

Pesquisa Gallup em 137 países aponta 50% de avaliação positiva contra 26% de rejeição; há o índice 4% negativo no Brasil

Imagem: Redes sociais

Uma pesquisa global da Gallup divulgada na Assembleia Geral das Nações Unidas revela que 50% da população aprova a ONU, enquanto 26% a desaprovam. O levantamento ouviu cerca de mil adultos por nação em 137 países entre março e dezembro do ano passado.

No Brasil, a aprovação líquida da entidade ficou em 4% negativo, resultado um pouco abaixo da média da América Latina. A margem de erro amostral do estudo varia entre 2,2 e 5,5 pontos percentuais.

O resultado contrapõe os discursos de líderes mundiais em Nova York sobre uma suposta perda de legitimidade do organismo. Outros 15% dos entrevistados declararam não saber avaliar e 25 afirmaram que a resposta depende dos fatores externos.

A América Latina registra 38% de aprovação e 34% de desaprovação. O Sudeste Asiático lidera o apoio com 69%, seguido pela África Subsaariana com 61% e Europa fora da União Europeia com 57%.

O Oriente Médio e Norte da África reúne a única média regional com predomínio de rejeição, com 46% de desaprovação ante 23% de aprovação. Israel registra a maior aprovação líquida negativa (-61%), seguida por Rússia (-58%), Tunísia (-48%), Palestina (-45%) e Iraque (-38%).

No polo oposto, Vietnã (+75%), Camboja (+74%), Laos (+71%), Madagascar (+69%) e Tanzânia (+69%) lideram a aprovação líquida positiva. Dados da Pew Research Center em 37 países reforçam o cenário, com mediana de 55% favorável contra 37% contrária.

Albert Trithart, chefe de publicações do Instituto Internacional da Paz (IPI), analisa o desconhecimento do público sobre a estrutura do órgão. “É importante lembrar que a maioria das pessoas não sabe muito sobre a ONU. Nem sempre é claro o que elas têm em mente quando se fala do assunto. Pensam no Conselho de Segurança, em alguma operação de paz? Ou de forma geral, na cooperação internacional?”, diz Trithart.

O levantamento ouviu pessoas a partir de 15 anos e identificou maior apoio na faixa de 15 a 29 anos em todas as regiões. O dado rebate narrativas de descredibilidade da instituição entre as gerações mais jovens.

Trithart observa que as crises climáticas e sanitárias aumentam a busca por cooperação internacional. “As pesquisas mostram que as pessoas querem, majoritariamente, a ONU fazendo mais, tendo mais autoridade e sendo mais ativa, não menos”, afirma o especialista.