ECONOMIA


Santander alerta para risco no índice de capital do Banco do Brasil

Estudo de estresse indica Itaú Unibanco e BTG Pactual como as opções mais resilientes do setor financeiro

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O Banco do Brasil (BBAS3) pode necessitar de emdidas para reforçar o capital em razão do desgaste na capacidade de absorção de perdas. A conclusão consta em relatórios de testes de estresse comentado pelo Santander nesta segunda-feira (21) no portal “Eu Quero Investir”.

Os analistas Henrique Navarro, Anahy Rios e Lorenzo Giglioli declaram que a apreensão do mercado atingiu o nível de patrimônio da instituição financeira.

“O foco passa a ser quanto o índice de capital principal ainda consegue absorver deteriorações adicionais antes que sejam necessárias medidas extraordinárias, como a abertura de capital de subsidiárias ou até a antecipação da renovação do contrato da BB Seguridade (BBSE3)”, apontam os especialistas.

No levantamento sobre as instituições do setor no Brasil, Itaú Unibanco (ITUB4) e BTG Pactual (BPAC11) figuram como os nomes mais resilientes. O Bradesco (BBDC4) destaca-se pela avaliação de mercado, com cotação em cerca de 1,0 vez o valor patrimonial projetado para 2027.

O relatório ressalta a rigidez das regras para a liberação de recursos por Itaú e Bradesco.

“Ambos os bancos endureceram seus critérios de concessão de crédito há vários trimestres, o que pode limitar uma desaceleração mais forte da carteira em comparação com outros bancos”, afirmam Navarro, Rios e Giglioli.

Essa estratégia conservadora exige operações com mais garantias e menor retorno. A consequência é a pressão sobre a margem financeira ao longo do tempo.

Em relação ao Nubank, (ROXO34), o cenário mais adverso no modelo do Santander indica redução de até 14% nas estimativas de lucro líquido. O debate entre investidores migrou do patamar de inadimplência para a capacidade de manutenção da expansão de clientes.

“A principal questão passa a ser por quanto tempo o banco conseguirá manter o atual ritmo de originação de crédito à medida que sua base de clientes se torna mais alavancada e uma parcela menor dos novos solicitantes atende aos critérios de concessão”, dizem os analistas.

O estudo avalia o ponto de ruptura das cotações e o montante de risco de crédito já embutido nos preços das ações. O Bradesco combina critérios rígidos com desconto atrativo, enquanto o Nubank mantém tese exposta a uma desaceleração do crédito em um ambiente adverso.