POLÍTICA


MP-TCU pede paralisação de aumento no Bolsa Família a 17 dias do 1º turno

Representação questiona previsão fiscal de alta de 15% no benefício; governo alega uso de sobras sem furar limite de gastos

Foto: Lyon Santos/ MDS

O Ministério Público Especial junto ao Tribunal de Contas da União (MP-TCU) pediu À Corte de Contas, nesta quinta-feira (17), a suspensão cautelar do Decreto n° 13.120. A norma, assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a 17 dias do primeiro turno eleitoral, eleva o valor mínimo do Bolsa Família de R$600 para R$ 691.

Na representação, o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado apontou a eventual ausência de previsão e adequação orçamentário-financeira do governo federal. O documento também questiona a possível inexistência ou insuficiência de estimativa sobre o impacto da despesa.

O reajuste de 15% incide no piso do programa e nos adicionais de Renda de Cidadania, Primeira Infância e Variável Familiar. A alteração do repasse considera a quantidade de integrantes de cada família.

Mais cedo, em entrevista coletiva, o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, disse que a medida não amplia as despesas do governo. O impacto financeiro em 2026 será de R$ 5,8 bilhões, montante referente às folhas de pagamento de outubro a dezembro.

Segundo Moretti, a recomposição utilizará recursos obtidos por meio do remanejamento de outras rubricas orçamentárias com sobras. “Essa recomposição será feita sem R$ 1 de aumento do nosso limite global de despesa”, afirmou o ministro.

A alteração constará no próximo relatório bimestral de avaliação das contas públicas, previsto para quinta-feira (24). Para o ano seguinte, o governo estima um impacto de cerca de R$ 22 bilhões.