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Brasil articula vaga de parceiro pleno na Asean para expandir comércio

Ministro Mauro Vieira cumpriu agenda em Singapura e na Tailândia antes de seguir para a cúpula do Brics na Índia

Foto: Brasil Escola

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, informou que o Brasil negocia a transição para a categoria de parceiro de diálogo pleno da Associação dos Países do Sudeste Asiático (Asean). A declaração ocorreu em entrevista à CNN antes da chegada do chanceler à Índia para a cúpula do Brics, após viagens oficiais a Singapura e Tailândia.

Com status de parceiro setorial desde 2022, o governo brasileiro projeta a obtenção do novo nível na cúpula de novembro nas Filipinas ou a partir de janeiro de 2027, sob a presidência rotativa de Singapura. O objetivo central consiste em ampliar a capacidade de influência e a assinatura de acordos comerciais e políticos com os 11 membros do bloco.

Em fala à emissora, Vieira destacou a orientação diplomática da gestão federal. “A relação com o Sudeste Asiático, com os 11 países membros da Asean, é um foco de grande interesse da política externa brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sempre me dá instruções para aprofundar as relações com o grupo como um todo, com a organização e com cada um dos países membros”, disse o ministro.

O intercâmbio comercial entre o Brasil e os países da Asean registrou US$ 38 bilhões no último ano, sem a contabilidade de Timor-Leste. Sobre esses números, o chanceler apontou perspectiva de expansão: “E eu creio que o crescimento será exponencial”.

Singapura figura como o principal parceiro comercial brasileiro na Asean e o segundo em todo o continente asiático. As trocas entre os dois países atingiram US$ 10,7 bilhões no ano passado, resultado 23,7% superior ao registrado em 2024, com superávit de US$ 4,1 bilhões para o Brasil.

Entre segunda-feira (7) e terça-feira (8) de setembro, Vieira cumpriu compromissos em Singapura com o chanceler Vivian Balakrishnan, com a ministra do Meio Ambiente, Grace Fu, e com representantes de cerca de 20 empresas.

Na sequência, o chanceler permaneceu na Tailândia até quinta-feira (10) de setembro, na primeira visita de um chefe da diplomacia brasileira ao país desde 2018. Em reuniões com o vice-primeiro-ministro Sihasak Phuangketkeow e com o ministro da Agricultura, Suriya Jungrungreangkit, a pauta focou na reabertura do mercado tailandês à carne brasileira, fechado desde 2024.

A agenda na Tailândia incluiu cooperação em ciência, tecnologia, inovação, segurança alimentar e combate ao crime organizado transnacional. O diálogo consular com as autoridades tailandesas atua contra fraudes cibernéticas e o tráfico de trabalhadores brasileiros explorados em condições análogas à escravidão.

A Asean reúne Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Mianmar, Brunei, Camboja, Laos e Timor-Leste, com produto interno bruto (PIB) somado de cerca de US$ 4 trilhões. Em outubro do ano passado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou da Cúpula do bloco em Kuala Lumpur, na Malásia, ocasião em que manteve reunião formal com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.