ECONOMIA


Apesar de relação com Vorcaro, mercado mantém confiança no BC

Apontamentos da polícia identificaram pagamentos de até R$760 mil por mês ao chefe de supervisão do BC

Fotos: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil e Assessoria/Banco Master

 

O mercado financeiro acompanha com atenção os desdobramentos do caso do Banco Master, após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça derrubar o sigilo dos inquéritos a pedido de Edson Fachin, presidente da Corte.

A decisão trouxe à tona informações que podem acirrar o chamado “Custo Brasil” e o trade eleitoral.
Um dos principais destaques da queda do sigilo até o momento está a relação de diretores do Banco Central com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo apontamentos da polícia, foram identificados pagamentos de até R$760 mil por mês ao chefe de supervisão da instituição, Belline Santana.

A quebra de sigilo gerou repercussão imediata nos mercados e levantou questionamentos sobre a integridade de agentes ligados ao sistema financeiro.

Em entrevista ao CNN Money, Gustavo Cruz, estrategista-chefe da Sincra, avaliou que o mercado financeiro tem tratado as revelações com cautela e sem generalizar o impacto sobre a instituição. “Por enquanto, o mercado financeiro tem analisado como algo muito específico de algumas pessoas dentro da instituição”, afirmou.

Segundo ele, o Banco Central segue sendo respeitado interna e externamente: “Os quadros de carreira do Banco Central são muito respeitados, são sempre colocados como quadros muito técnicos.”

Cruz também destacou que, desde que a independência do Banco Central passou a valer, a postura da instituição tem sido vista como tecnicamente sólida, inclusive diante de pressões políticas.

As informações tornadas públicas nesta sexta-feira chegam poucos dias antes da sessão extraordinária do plenário do STF, que vai discutir as controvérsias em torno do relatório da Polícia Federal sobre conversas entre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, marcada para terça-feira (15).