ECONOMIA


Brasileiros retiram R$10,5 bilhões da poupança em agosto

Período representa terceiro mês seguido de saques líquidos na poupança; inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE

Foto: Daniel Dan/Pexels

 

O saldo da aplicação na caderneta de poupança registrou mais saques do que depósitos em agosto deste ano. As saídas superaram as entradas em R$10,5 bilhões, de acordo com relatório divulgado nesta quinta-feira (10) pelo Banco Central (BC).

No mês passado, foram aplicados R$357,7 bilhões, contra saques de R$368,2 bilhões. Os rendimentos creditados nas contas de poupança somaram R$6,5 bilhões. O saldo da poupança é pouco mais de R$1 trilhão.

É o terceiro mês seguido de saques líquidos na poupança. Em 2026, apenas em maio houve mais depósitos que retiradas. Nos últimos anos, a caderneta vem registrando mais saques que depósitos. Em 2023 e 2024, as retiradas líquidas foram de R$87,8 bilhões e R$15,5 bilhões, respectivamente.

No ano passado, o saldo negativo da poupança chegou a R$85,6 bilhões. Até agosto, a caderneta já acumula R$57,1 bilhões em retiradas líquidas. Entre as razões para os saques está a manutenção da Selic, a taxa básica de juros, em alta, o que estimula a aplicação em investimentos com melhor desempenho. Definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, a taxa está em 14% ao ano.

De junho de 2025 a março deste ano, a Selic ficou em 15% ao ano, o maior nível em quase 20 anos. O Copom voltou a cortar os juros na reunião de março, num cenário de queda da inflação. No entanto, a guerra no Oriente Médio, que se refletiu no aumento dos preços de combustíveis e de alimentos, dificulta a queda da taxa.

A Selic é o principal instrumento do BC para garantir que a meta de 3% (com tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos) para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência oficial da inflação no país, seja alcançada.

Quando o Copom aumenta a taxa básica de juros, a finalidade é conter a demanda aquecida e isso causa reflexos nos preços porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança.

No mês de julho, os alimentos ficaram mais baratos e contribuíram para que a inflação oficial perdesse força pelo quarto mês seguido e fechar em 0,07%,de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado fez o IPCA acumular 4,44% em 12 meses, trazendo o indicador de volta para a margem de tolerância da meta.

A inflação de agosto será divulgada na próxima sexta-feira (11) pelo IBGE.