ELEIÇÕES


Pablo Marçal é alvo de representação ao MP Eleitoral por dizer que ‘todo macumbeiro é derrotado’

Postulante à presidência, Marçal teve sua candidatura impugnada pelo MP

Foto: RecordTV/Reprodução

 

Pablo Marçal (PRTB) virou alvo de uma representação ao Ministério Público Eleitoral por suposto racismo religioso e discurso de ódio após declarações ofensivas a religiões de matriz africana. A informação é da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo.

Em entrevista ao canal “BNTV”, o empresário afirmou que “todo macumbeiro é um derrotado (…), tem um perfil, é gente invejosa, que não prospera”. Disse ainda que a macumba na África “faz a gente levitar, enquanto a daqui fica só à pinga da esquina, sujando via pública”. E arrematou:

“Se macumba funcionasse, a Bahia seria Dubai”.

Postulante à presidência, Marçal teve sua candidatura impugnada pelo MP. O órgão apontou que o coach está inelegível até 2032 e não comprovou vínculo político com seu partido dentro do prazo legal.

Agora, o MP Eleitoral tem mais um caso para analisar. O Ivanir dos Santos, candidato a deputado federal pelo PSB no Rio, pediu a abertura de um procedimento para investigar as falas.

Segundo a representação, o conteúdo pode ultrapassar os limites da liberdade de expressão religiosa e configurar discriminação, racismo religioso, discurso de ódio e propaganda eleitoral vedada. A peça também pleiteia que sejam examinadas possíveis práticas de abuso de poder ou uso indevido dos meios de comunicação.

Os advogados Carlos Nicodemos, Maria Fernanda Fernandes e Rafaela Batistone sustentam que as declarações atingem não apenas uma crença ou uma corrente religiosa, mas uma coletividade de praticantes historicamente submetida a processos de estigmatização e violência.

Outro ponto citado é que o vídeo ultrapassou 350 mil visualizações no YouTube, ampliando o potencial de alcance das declarações e contribuindo para a reprodução de preconceitos contra determinados segmentos religiosos.

O Centro de Articulação das Populações Marginalizadas (CEAP) também ingressou com uma notícia de fato junto à delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância do Rio para que apure a prática de possíveis delitos.