ECONOMIA


Petróleo fecha em alta e atinge maior cotação em seis semanas após novas ameaças do Irã

Brent avançou 1,1% nesta segunda-feira (7), em meio à escalada dos ataques entre Irã e EUA

Foto: Pixabay

 

Os preços do petróleo chegaram à maior cotação em seis semanas nesta segunda-feira (7), após o Irã prometer atacar infraestruturas de energia em diferentes pontos do Oriente Médio em resposta aos novos ataques dos Estados Unidos contra seus ativos. A ameaça representa mais uma escalada em um conflito que já provocou uma forte redução na oferta de petróleo da região. As informações são da CNN Brasil.

Os contratos futuros do petróleo Brent avançaram US$ 1,03, alta de 1,1%, e encerraram o dia cotados a US$ 97,31 o barril. Durante a sessão, a commodity chegou a US$ 98,06, maior valor desde 24 de julho. Por conta do feriado do Dia do Trabalho nos Estados Unidos, os contratos do Brent foram encerrados cerca de uma hora antes do horário habitual.

Já o petróleo bruto West Texas Intermediate (WTI), negociado nos Estados Unidos, não teve liquidação nesta segunda-feira devido ao feriado. Às 14h45 (horário de Brasília), o contrato subia 1,3%, ou US$ 1,17, sendo negociado a US$ 92,65 por barril. Mais cedo, o WTI chegou a US$ 93,29, também o maior nível desde 24 de julho.

“Ataquem nossos ativos e vocês serão atacados”, afirmou nesta segunda-feira o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf. A declaração pareceu ser uma resposta à advertência do secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, de que a frota petrolífera de Teerã estava “indefesa”.

Estados Unidos e Irã também trocaram ataques contra petroleiros e navios de guerra durante o fim de semana, em uma nova escalada da guerra entre os dois países. O conflito teve início em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, segundo informações da empresa de inteligência marítima Marisks.

“Petroleiros comerciais estão agora sendo deliberadamente usados como instrumentos de pressão econômica recíproca, enfraquecendo substancialmente a distinção anterior entre confronto militar e transporte marítimo comercial”, afirmou a Marisks.

O Brent acumulou alta próxima de 8% na semana passada, enquanto o WTI avançou quase 10%, após Estados Unidos e Irã retomarem os ataques. A guerra vem afetando de forma significativa o abastecimento mundial de petróleo e levou países a recorrerem aos seus estoques para evitar déficits.

Nos Estados Unidos, maior produtor e consumidor de petróleo do mundo, os estoques de gasolina e combustíveis destilados estão significativamente abaixo dos níveis registrados no mesmo período do ano passado e das médias sazonais dos últimos cinco anos, segundo analistas da PVM Energy.

“O panorama atual indica uma situação um pouco mais grave do que a última vez em que fizemos um balanço, há algumas semanas”, afirmaram.

As tensões na região também aumentaram após ataques israelenses contra uma cidade no sul do Líbano, que deixaram pelo menos 12 mortos nesta segunda-feira, de acordo com o Ministério da Saúde libanês. O episódio marcou um dos dias mais letais de bombardeios registrados nas últimas semanas.

O Goldman Sachs avaliou que os preços do petróleo podem chegar a US$ 120 por barril caso os ataques contra a navegação se intensifiquem.

Enquanto isso, os Emirados Árabes Unidos estão desenvolvendo rotas alternativas para suas exportações de energia e atividades comerciais, com o objetivo de evitar que o país fique “refém” da guerra entre Estados Unidos e Irã, afirmou nesta segunda-feira o assessor presidencial dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash.

A Opep+ decidiu manter inalterada sua política de produção de petróleo para outubro durante reunião realizada no domingo, segundo comunicado divulgado pelo grupo de produtores.