ELEIÇÕES


Renan Santos defende bomba atômica para soberania do Brasil e minimiza violações sob Bukele

Em entrevista à Rede Globo, candidato rechaçou necessidade de 'estudo científico' para determinar produção do artefato

Foto: Manoella Mello/Divulgação TV Globo

 

O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) defendeu nesta quarta-feira (26) que o Brasil desenvolva armas nucleares como forma de garantir soberania e rechaçou a necessidade de estudos para embasar a iniciativa. Ele disse que o país precisaria ampliar a soberania territorial e militar para tentar um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas).

“As nações mais poderosas do mundo dispõem de armas nucleares, e elas se fazem respeitadas por causa disso”, declarou.

Questionado sobre a proposta, Renan disse que “não precisa de estudo científico para determinar que uma nação tem que ter força política para se defender”. “No futuro, se o Brasil quiser ser uma das cinco maiores nações do mundo, ele vai precisar ter soberania, soberania sob seu próprio território, soberania militar e vai ter que discutir ter bombas atômicas”.

A medida, porém, é inconstitucional. Desde 1998, o Brasil é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear, e a Constituição Federal estabelece que toda atividade nuclear no território brasileiro “somente será admitida para fins pacíficos”.

Ao ser indagada sobre a questão da segurança pública, cita como exemplo do modelo de segurança do presidente de El Salvador, Nayib Bukele, cujo governo é alvo de denúncias de tortura e desaparecimentos associadas à iniciativa.

Renan disse não reconhecer os casos citados e disse se tratar de um “clichê da mídia internacional”.

Também reafirmou que, se eleito, vai descumprir decisões do STF (Supremo Tribunal Federal) que considerar ilegais, mencionando como exemplo uma decisão do ministro Alexandre de Moraes que classificou como “grotesca” — a quebra de sigilo de fontes jornalísticas. “Decisão ilegal não se cumpre”, disse.

Na última pesquisa Datafolha, Renan Santos marcava 4% das intenções de voto no primeiro turno, contra 39% de Lula e 33% de Flávio Bolsonaro. Caiado pontuava 5%, Romeu Zema, 3%, e Augusto Cury, 2%.