ECONOMIA


Preço dos alimentos cai pelo 3º mês, mas cresce no acumulado do ano

IPCA-15 geral veio com queda de 0,40% em agosto, primeira deflação em um ano; Apesar disso, indicador de alimentos acumula alta de 3,78% no ano

Foto: Joá Souza/GOVBA

 

Os alimentos ficaram mais baratos pelo terceiro mês consecutivo, segundo o IPCA-15, índice que serve como prévia da inflação oficial. A alimentação dentro de casa caiu 1,02% em agosto. Fora do domicílio, ela passou de 0,55% em julho para 0,42% em agosto. O IPCA-15 geral veio com uma queda de 0,40% em agosto, a primeira deflação em um ano.

Dentro de casa, a manga teve a maior redução, de quase 21%. A batata-inglesa caiu 18,8%, a cebola recuou 13,8% e o tomate ficou 7,7% mais barato. Também houve queda nos preços do arroz, de 3,1%, e das carnes, de 0,94%.

Apesar da queda em agosto, os produtos ainda acumulam altas expressivas no ano. A batata-inglesa, por exemplo, subiu 34,83% desde o início de 2026. A cebola acumula alta ainda maior, de 68,94%. No acumulado do ano, o indicador de alimentos, medido pelo IPCA-15, ainda acumula alta de 3,78%, sendo que a alimentação em domicílio subiu 3,68% neste período.

No caso do arroz, porém, a queda se deve à recomposição de preços, após uma temporada de valorização associada a efeitos externos. Por isso, mesmo no acumulado anual, é possível ver uma desaceleração de 3%. Nas carnes, o comportamento dos preços é relacionado ao menor ritmo das exportações. No ano, porém, as carnes sobem 6,47%.

No caso da alimentação fora do domicílio, a refeição desacelerou de 0,66% em julho para 0,25% em agosto, justamente porque os preços gerais dos alimentos recuaram.

No entanto, nem todos os alimentos ficaram mais baratos. Entre os produtos que ainda pressionaram a alimentação em agosto, destacam-se o leite longa vida, que subiu 3,41%, e as frutas, com alta média de 3,11%.

A pressão do leite começa no campo, com o preço pago ao produtor tendo subido pelo sexto mês consecutivo em junho e acumulado avanço real de 33% desde janeiro, segundo o Cepea.

Com uma oferta mais apertada de leite cru, os laticínios passaram a pagar mais pela matéria-prima, e esse aumento chega ao consumidor. A sazonalidade do mercado também ajuda a sustentar os preços. No acumulado de 2026, o leite sobe 23%.