POLÍTICA


Paulo Skaf afirma que proposta contra a escala 6×1 é ‘PEC Boca de Urna’

Presidente da Fiesp sugere unificar proposta com projeto de jornada flexível e alerta para riscos de desemprego e inflação

Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, criticou a proposta de emenda constitucional que extingue a escala 6×1 e reduz a jornada semanal. Em entrevista à BandNews TV nesta terça-feira (25), o dirigente classificou o texto como “PEC boca de urna” e apontou motivações eleitorais na matéria.

O senador Omar Aziz (PSD) deve apresentar o relatório da proposta nesta semana no Senado. O Governo solicita a votação do texto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) já na próxima semana.

Skaf afirmou que o Palácio do planalto e o relator não consideram as necessidades do país. “O presidente da República não pensa nos interesses das pessoas e nem do Brasil, bem como o senador relator, quando ele tem essa pressa toda de aprovar às vésperas da eleição”, declarou.

O representante da Fiesp reforçou a crítica à tramitação em período pré-eleitoral. “Isso é uma verdadeira PEC ‘Boca de Urna’. Isso não beneficia as pessoas”, completou.

A escala 6×1 prevê seis dias de trabalho para um de descanso em setores como comércio, serviços e indústria. A proposta em análise altera esse regime e reduz a carga semanal com manutenção dos salários.

Como alternativa, Skaf defende a PEC 12/2026, apresentada pela oposição. O projeto estabelece um regime flexível baseado em horas trabalhadas e na negociação direta entre empresas e empregados.

“Negociar dentro do seu interesse é o que é moderno, por isso que existe uma PEC que é a PEC flexível”, sustentou o empresário. Segundo ele, a nova proposta permite modelos de 10 ou 20 horas semanais conforme a conveniência das partes.

Skaf destacou que a jornada precisa respeitar a natureza de cada setor produtivo e região. “A realidade do restaurante não é a realidade da loja do shopping center, que não é a realidade do produtor rural, que não é a realidade da indústria”, exemplificou.

A legislação atual estabelece o teto de 44 horas semanais no Brasil, embora a média praticada seja de 38 horas. O dirigente questionou a razão de impor um engessamento nas regras atuais.

Na avaliação da entidade, mudanças inflexíveis na jornada tendem a levar a informalidade e o desemprego no país. Skaf citou o caso do Chile e mencionou a perda de competitividade brasileira para o Paraguai, que já atrai 400 empresas nacionais.

A redução da jornada para 40 horas sem corte salarial pode gerar um aumento de custos de até 20% para as empresas. “Este aumento vai no preço do supermercado, no pãozinho, no cafezinho da padaria, no seu condomínio, é serviço puro”, pontuou Skaf.

A Fiesp atuará na CCJ do Senado para tentar modificar o texto e postergar a votação por meio de audiências públicas. Skaf conversou com cerca de dez senadores para expandir o debate sobre a matéria.

O objetivo da entidade é articular a unificação da PEC em discussão com o texto da jornada flexível. “Nós vamos lutar para que, no mínimo, sejam juntadas as duas PECs, a flexível e essa que está lá em discussão”, concluiu.