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China lança missão inédita ao polo sul lunar para confirmar presença de água

Sonda robótica Chang'e-7 inicia fase operacional de futura estação espacial e intensifica disputa geopolítica com os Estados Unidos

Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/Arquivo

A China planeja lançar a missão robótica Chang’e-7 neste domingo (23), às 21h (horário de Brasília), a partir do Centro de Lançamento de Wenchang. A expedição realiza a primeira busca direta por água na superfície do polo sul lunar para viabilizar bases humanas permanentes.

O foguete Longa Marcha 5 conduzirá o conjunto espacial diretamente em uma trajetória translunar, com inserção orbital prevista em cinco dias. O pouso final ocorrerá após meses de operações em órbita, nas proximidades da cratera Shackleton.

A missão é composta por quatro módulos: orbitador, pousador, veículo explorador (rover) e um módulo saltador. O pousador tentará uma alunissagem de precisão em uma elipse menor que cem metros na borda da cratera.

O módulo saltador utilizará propulsão a foguete para entrar nas áreas de sombra permanente do interior da cratera. O equipamento colherá amostras do solo a até um metro de profundidade e aquecerá o material a mais de 200 graus Celsius para analisar os vapores emitidos.

A nave carrega instrumentos científicos para mapeamento, medição de compostos e análise magnética. O projeto inclui carga útil desenvolvida em parceria com Suíça, Tailândia, Itália, Rússia, Egito e Bahrein.

A Chang’e-7 sucede missões anteriores que executaram o primeiro pouso no lado oculto da Lua e a coleta de amostras de solo. O novo projeto integra a fase inicial da Estação Internacional de Pesquisa Lunar (ILRS), planejada para a década de 2030.

O cronograma chinês prevê a missão Chang’e-8 para 2028 e o envio de taikonautas para pousos em regiões equatoriais antes de 2030.

Os Estados Unidos planejam estabelecer uma base na mesma região lunar em 2028. O administrador Jared Isaacman mencionou a intenção de usar missões robóticas prévias para “delimitar” a área da futura instalação americana.

O Tratado do Espaço de 1967, assinado por ambos os países no âmbito da ONU, proíbe a reivindicação de soberania sobre corpos celestes. O texto deixa lacunas jurídicas sobre as regras para a exploração de recursos “em benefício de toda a humanidade”.