POLÍTICA


Lula criticou tarifas e abordou criminalidade em ligação com Trump

Presidente brasileiro afirmou que alegações por trás das novas tarifas são “infundadas” e defendeu autonomia do Brasil para lidar com organizações criminosas

Foto: Ricardo Stuckert / PR

 

O conteúdo da conversa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente Donald Trump foi divulgado na tarde desta sexta-feira (21) nas redes sociais do Governo Federal. A conversa durou uma hora e vinte minutos e abordou temas do relacionamento bilateral e da agenda global.

Segundo nota publicada no Instagram, foram discutidas as novas tarifas impostas ao Brasil em decorrência das investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos. “O Presidente Lula enfatizou que as alegações que basearam a medida (desmatamento, acordos preferenciais, propriedade intelectual, combate à corrupção, Pix, etanol e importações de produtos com trabalho forçado) são infundadas”, afirmou.

“Ao observar que as tarifas afetam negativamente tanto o Brasil, quanto os Estados Unidos, afirmou que seguir na mesa de negociação é a melhor opção para os dois países. Reiterou a importância de trabalhar juntos para que os Estados Unidos continuem sendo um dos principais parceiros comerciais do Brasil”, prosseguiu.

De acordo com o comunicado, Trump reconheceu a importância de manter as relações comerciais e sugeriu que representantes de ambas as nações organizem um novo encontro o quanto antes.

Em relação à cooperação entre os países no combate ao crime organizado, Lula argumentou que, embora aterrorizem a população, os grupos criminosos não se confundem com organizações terroristas, além de defender que o Brasil tem instrumentos para enfrentar essas organizações sem precisar de classificação especial para designá-las.

“[O presidente] informou sobre a estratégia do país de asfixiar financeiramente a criminalidade, que já resultou na apreensão de cerca de 17 bilhões de reais, e sobre os planos de transformar 138 presídios em prisões de segurança máxima. Também comentou sobre a aprovação da Lei Antifacção, bem como sobre a proposta de emenda constitucional que amplia o papel do governo federal na área de segurança pública. Também mencionou o estabelecimento do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, em Manaus”, alegou.

Em resposta, o presidente norte-americano “se dispôs a reforçar a cooperação bilateral e indicou que mobilizaria funcionários de alto escalão para dar seguimento aos entendimentos nessa área”.

Os dois representantes comentaram ainda sobre as guerras na Ucrânia e no Oriente Médio. Segundo a postagem, ambos concordaram sobre a urgência de solucionar o conflito entre Rússia e Ucrânia e Trump compartilhou suas perspectivas de resolução do conflito com o Irã.

“O Presidente Lula lamentou a inoperância do Conselho de Segurança da ONU e, a exemplo do que sugerira aos Presidentes Xi Jinping e Putin, propôs a convocação de uma reunião extraordinária do órgão para encontrar saídas diplomáticas para as crises atuais. O Presidente Lula afirmou que os grandes líderes não são aqueles que iniciam guerras, mas aqueles que põem fim aos conflitos”, concluiu a nota.