JUSTIÇA


Foto com frases sobre prisão de Lula mostra relação escancarada entre Moro e Dallagnol, diz Föppel

Em vídeo, criminalista baiano critica aproximação "não muito ortodoxa" entre então procurador do Ministério Público e o juiz que julgava causa na Lava Jato

Imagem: Reprodução//Instagram/@gamilfoppel

 

O advogado criminalista baiano Gamil Föppel criticou uma foto em que o candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo-PR) e o candidato ao governo do Paraná, Sergio Moro (PL), aparecem usando camisetas com frases que fazem referência à prisão do presidente Lula (PT) no âmbito da Operação Lava Jato. A legenda da publicação diz que os dois prenderam Lula, mas o “STF soltou”.

Para Föppel, imagem é uma declaração “explícita” e “não muito ortodoxa” da relação entre os dois ao longo da força-tarefa.

Na camisa de Dallagnol está escrita a frase “Eu prendi o Lula. O STF soltou”. Ele deixou o cargo de procurador da República em novembro de 2021 para disputar as eleições de 2022. Foi eleito deputado federal, mas teve o registro de candidatura cassado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) em maio de 2023.

Sergio Moro, por sua vez, usa uma camisa com os dizeres “Curitiba prendeu, Brasília soltou”. Então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba no processo que condenou Lula, Sergio Moro pediu exoneração do posto para ser ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro.

Ao comentar a imagem, Föppel afirmou que a migração de integrantes do sistema de Justiça para a política não é novidade e chamou o registro de “peculiar”. “Uma imagem verdadeiramente peculiar: um ex-procurador do Ministério Público abraçado a um ex-juiz, sendo que, na camisa do ex-procurador do Ministério Público, está escrito: ‘Eu prendi o Lula. O STF soltou'”, inicia Föppel em vídeo publicado nas redes sociais.

“Não é de hoje que, lamentavelmente, atores do sistema de Justiça e sujeitos processuais abandonam suas carreiras institucionais para seguirem carreiras político-partidárias. Mas eu não vou falar aqui sobre política partidária, porque esse não é o meu papel”, acrescenta ele.

Na sequência, o criminalista diz que o que chama a atenção é a “relação absolutamente escancarada” e a declaração explícita de que existia uma aproximação não muito ortodoxa entre um membro do Ministério Público e o juiz que julgava a causa. “Imaginem, por exemplo, se algum advogado escrevesse uma camisa dizendo: ‘Eu soltei fulano de tal’. Advogados não soltam ninguém. Promotores não prendem quem quer que seja, porque esses atos são submetidos à reserva de jurisdição”, comparou.

Föppel afirmou que sua crítica não é direcionada a personagens políticos específicos, mas ao respeito às garantias processuais. O advogado disse já ter se manifestado publicamente sobre supostas irregularidades tanto em processos envolvendo o presidente Lula quanto o ex-presidente Jair Bolsonaro e afirmou que mantém o mesmo entendimento em ambos os casos.

Segundo ele, a coerência e a probidade científica exigem uma análise desvinculada de preferências político-partidárias. Em sua avaliação, independentemente de quem seja o réu, “as regras processuais precisam ser respeitadas” e defendeu que eventuais violações sejam reconhecidas “sem qualquer tipo de paixão político-partidária” ou vinculação a qualquer grupo político.

Assista ao vídeo