ELEIÇÕES


Alusão às ‘Diretas Já’ vira aposta de marketing de Flávio para engajar militância bolsonarista

Em transmissão ao vivo, pré-candidato do PL à Presidência lança central de comunicação e vaquinha virtual, acumulando R$24 mil nas primeiras horas; legenda terá a maior fatia do fundo eleitoral em 2026

Foto: Beto Barata/PL

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato do partido à Presidência da República para as eleições de 2026, iniciou a estruturação de sua pré-campanha com o lançamento simultâneo de duas ferramentas digitais: a plataforma de comunicação batizada de  “Direita Já” e um canal de financiamento coletivo (crowdfunding). Ambas as iniciativas foram apresentadas pelo parlamentar durante a mesma transmissão ao vivo realizada na noite de quinta-feira (30).

Nas primeiras horas da “vaquinha” virtual, a arrecadação contabilizou R$24 mil por meio de 615 doações registradas até a manhã de sexta-feira (31). A estratégia busca integrar a mobilização digital da militância conservadora com a captação prévia e descentralizada de recursos econômicos para a campanha eleitoral.

 

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Central de conteúdos e estratégia digital

A plataforma “Direita Já” opera como um repositório centralizado de vídeos, dados de gestão e defesas políticas. A proposta é criar um canal direto entre a pré-campanha e os eleitores, sem intermediação institucional, permitindo a distribuição acelerada de materiais em redes sociais e aplicativos de mensagens para rebater críticas e posicionamentos de opositores políticos.

O nome da ferramenta faz alusão ao movimento histórico “Direta Já”, articulado na década de 1980 pela restauração do voto direto no Brasil. Na estratégia de marketing da pré-campanha, o termo histórico foi recontextualizado para a base eleitoral conservadora. “É um local onde estão compilados todos os vídeos de respostas, tudo mais mastigadinho para que você possa compartilhar nas redes sociais os ataques que são feitos contra a nossa direita, contra a minha própria candidatura, para rebater de verdade o desespero do lado de lá”, explicou Flávio sobre a plataforma.

O senador também abordou a manutenção da linha política adotada por seu grupo e o desempenho apontado em pesquisas de intenção de voto: “Todo mundo que olha para Flávio Bolsonaro já sabe qual é o pacote que está levando para casa […], porque ninguém vai se enganar sobre as coisas que nós defendemos, com a continuidade do que o presidente Bolsonaro fez”.

Regras e funcionamento do financiamento coletivo

Anunciada na mesma transmissão ao vivo, a campanha de arrecadação financeira é realizada por meio da plataforma “Contribua”, que aceita repasses via Pix, cartão de crédito e boleto bancário, com sugestões de valores que variam entre R$10 e R$1.064.

Segundo as normas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a arrecadação prévia por financiamento coletivo é restrita a pessoas físicas, com limite de doação fixado em até 10% dos rendimentos brutos declarados pelo eleitor no Imposto de Renda do ano anterior. A plataforma mantém os valores sob custódia, e a liberação das quantias é condicionada ao cumprimento de etapas formais, como o registro oficial da candidatura, a emissão do CNPJ eleitoral e a abertura de conta bancária específica.

O modelo de arrecadação digital ganhou força na política brasileira a partir de 2018, quando a campanha presidencial de Jair Bolsonaro captou mais de R$1 milhão na mesma modalidade.

Fundo Eleitoral

O lançamento das ferramentas digitais ocorre em paralelo à definição da distribuição de recursos públicos para o pleito de 2026. O Partido Liberal (PL) terá a maior fatia do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), com R$881,6 milhões reservados de um total de R$4,96 bilhões, o que corresponde a 17,7% do montante global.

O valor destinado à legenda para as eleições de 2026 representa um aumento superior a três vezes em comparação aos R$268,1 milhões repassados ao partido no pleito geral de 2022.