POLÍTICA


Jaques Wagner nega que tentou vender terreno de R$ 15 mi após ser alvo da PF e fala em ‘palhaçada’

Ex-líder do governo Lula, senador afirmou que propriedade já estava vendida desde 2024, mas a transação só foi formalizada neste ano

Foto: Eduardo Costa/MundoBA

 

O senador Jaques Wagner (PT) negou nesta sexta-feira (24) que tenha tentado vender um terreno de R$ 15 milhões um dia após ter sido alvo de operação da Polícia Federal por suspeita de receber pagamentos do Banco Master —o que ele também nega. Segundo o senador, a propriedade já estava vendida desde 2024, mas a transação só foi formalizada neste ano.

Ele chamou de “palhaçada” a revelação de que a venda foi barrada por decisão do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), como parte da 9ª fase da Operação Compliance Zero, deflagrada pela Polícia Federal. A investigação apura irregularidades relacionadas ao Master.

“Eu vendi esse terreno, recebi a entrada desse terreno em 2025, em maio. Isso está tudo registrado. Paguei imposto em 2025. Simplesmente agora a empresa que assumiu o projeto foi registrar, e fizeram, pra mim, uma palhaçada de dizer que eu tentei vender o terreno. Não tentei nada”, declarou Jaques Wagner em entrevista à rádio Andaiá FM, de Santo Antônio de Jesus.

Em nota divulgada anteriormente, a assessoria do senador informou que “a venda do imóvel é resultado de uma negociação iniciada em 2024 e formalizada em 2025 pelo City Football Group, conforme demonstram os documentos”.

“O terreno já estava vendido, tem promessa de compra e venda, tem a escritura. Agora, como meu nome, infelizmente, ou felizmente, é doce, como essa base de apoio ao presidente Lula é muito forte […]”, disse.

De acordo com o jornal Folha de S. Paulo, o terreno teve valorização de 11.400% 25 anos depois de ser vendido por Wagner, que o comprou por R$ 28 mil, em março de 2000, quando era deputado federal.  Com 51 mil metros quadrados, a propriedade está localizada em uma rodovia projetada em sua gestão como governador da Bahia.

“É obvio que tudo que valoriza em 26 anos”, disse Wagner.

“Sobre o terreno, dá até vontade de rir, porque o terreno talvez tenha sido a única obra feita na Bahia para benefício dos baianos que não teve pago desapropriação. A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou lá um pedaço do terreno e eu digo ‘não vou cobrar nenhuma desapropriação”, acrescentou.

O senador afirmou estar “tranquilo” e comparou a repercussão do caso ao que chamou de “escarcéu” de um investigação de 2018, de que teria recebido R$ 82 milhões decorrentes de propina e caixa dois num suposto superfaturamento nas obras de reforma da Arena Fonte Nova. À época chefe do Executivo baiano, Jaques Wagner sofreu busca e apreensão no âmbito da Operação Cartão Vermelho.

A ação foi anulada em 2019 pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região).

“Em 2018, teve a Fonte Nova, ano eleitoral, que tinha superfaturamento, a Fonte Nova. Fizeram aquele escarcéu todo. Eu estou com a minha cabeça livre, leve e solta. Estou absolutamente tranquilo. Como diz o presidente Lula, só quem sabe o que você fez é você mesmo”, acrescentou o petista, que deixou o cargo de líder do governo Lula no Senado sob pressão do Palácio do Planalto.

Intimado a depor pela PF sobre as suspeitas ligadas ao Master, Jaques Wagner afirmou que sua defesa o orientou a não tratar do assunto e, por isso, se dedicará apenas à campanha na qual disputará a reeleição a senador. “Eu estou tranquilo, assim como em 2018. A pedido do meu advogado, eu não estou falando mais desse assunto. Por quê? Porque tem uma investigação. Contratei o mesmo advogado que me defendeu em 2018, e ele está fazendo [minha defesa], e eu estou fazendo campanha”, afirmou.