POLÍTICA


Lindbergh destinou R$ 1,7 mi ao MST no Paraná, base eleitoral da namorada, Gleisi

Deputado nega favorecimento à ministra e afirma que recursos foram destinados ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA)

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) destinou R$ 1,7 milhão em emendas parlamentares para três cooperativas ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) no Paraná. As entidades beneficiadas integram a base eleitoral da ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, namorada do parlamentar. As informações são da coluna de Andreza Matais, do portal Metrópoles.

Os recursos foram executados em 2025 por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). O valor enviado ao Paraná supera em 2,5 vezes os R$ 680 mil destinados por Lindbergh ao mesmo programa no Rio de Janeiro, estado pelo qual foi eleito.

A maior parte dos recursos, R$ 1,06 milhão, foi destinada à Cooperativa de Comercialização Camponesa Vale do Ivaí (Cocavi), localizada em Jardim Alegre (PR). A entidade foi visitada por Gleisi Hoffmann em abril deste ano.

Em publicação nas redes sociais, a ministra destacou a atuação da cooperativa e do Assentamento Oito de Abril. A emenda destinada à Cocavi foi apresentada em 2024 e empenhada em novembro de 2025.

Outras duas cooperativas do MST no Paraná também receberam recursos. A Cooperativa de Produção, Industrialização e Comercialização Agrícola Ribeirão Vermelho (Coprari), em Centenário do Sul, recebeu R$ 374 mil. Já a Cooperativa Agroindustrial de Produção e Comercialização Conquista (Copacon), em Londrina, foi contemplada com R$ 260 mil.

Em 2024, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o envio de emendas parlamentares para estados diferentes daqueles pelos quais os deputados foram eleitos. Segundo o ministro, a prática pode favorecer distorções, favorecimentos políticos e desvios de finalidade.

Nesta semana, Dino determinou que os dirigentes dos 21 partidos com representação no Congresso informem, em até dez dias, se participam da definição do destino das emendas parlamentares.

A decisão cita entrevista do presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, que afirmou haver influência de dirigentes partidários na distribuição desses recursos.

Na semana passada, relatório da Polícia Federal apontou que Valdemar teria indicado a destinação de 21 emendas parlamentares que somam R$ 119 milhões. O dirigente negou irregularidades e afirmou que suas sugestões ocorreram dentro da legalidade.

O que diz Lindbergh

Em nota, Lindbergh Farias negou ter direcionado recursos para fortalecer a base eleitoral de Gleisi Hoffmann.

Segundo o deputado, a emenda foi destinada ao Programa de Aquisição de Alimentos para atender famílias em situação de vulnerabilidade no Rio de Janeiro. Ele afirmou que a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) foi responsável por selecionar os fornecedores e que todos os alimentos adquiridos foram distribuídos no estado fluminense.

Lindbergh argumentou que cooperativas do Paraná e do Rio Grande do Sul foram contratadas porque a agricultura familiar do Rio de Janeiro não produz quantidade suficiente de itens como arroz e feijão. De acordo com o parlamentar, a escolha dos fornecedores seguiu critérios técnicos definidos pela Conab.