POLÍTICA


Lula rebate Flávio Bolsonaro e diz que defender fim do Mercosul é atacar interesses do Brasil

Presidente criticou documento enviado pelo senador aos EUA e afirmou que a soberania brasileira é 'inegociável'

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

 

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) rebateu nesta quinta-feira (2) as declarações do senador Flávio Bolsonaro (PL), que encaminhou ao governo dos Estados Unidos um documento defendendo mudanças na atuação do Brasil no Mercosul e propondo novas formas de negociação comercial entre os dois países.

Em publicação nas redes sociais, Lula saiu em defesa do bloco econômico e afirmou que enfraquecer o Mercosul vai contra os interesses do Brasil. “Defender o fim do Mercosul, o bloco econômico mais importante da América Latina e que acaba de firmar um acordo histórico com a União Europeia, é outro ataque ao interesse do povo brasileiro”, escreveu.

O posicionamento do presidente ocorre um dia após Flávio enviar um ofício ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR). No documento, o senador afirma que o Brasil deveria flexibilizar as regras do Mercosul para viabilizar acordos comerciais diretos com os norte-americanos e sustenta que o bloco limita esse tipo de negociação.

Além de defender a permanência do Mercosul, Lula criticou o envio do documento ao governo norte-americano e classificou como “inaceitável” a postura da família Bolsonaro. Segundo o presidente, o grupo político pretende “submeter o Brasil aos interesses dos Estados Unidos”. Ele também afirmou que o país seguirá mantendo relações internacionais “de igual para igual” com outras nações.

Lula também respondeu ao trecho do documento em que Flávio Bolsonaro pede que a aplicação de eventuais tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros seja adiada para depois das eleições. Para o presidente, “nunca houve e não há qualquer justificativa” para a adoção do tarifaço e a medida teria sido incentivada pela própria família Bolsonaro.

Ao comentar outro ponto do ofício, Lula defendeu o Pix e afirmou que o sistema de pagamentos instantâneos é “uma conquista do Brasil”. O presidente disse ainda que o governo não permitirá que a ferramenta fique sujeita a interesses estrangeiros e encerrou a manifestação reforçando que “a soberania é inegociável” e que “o Brasil é dos brasileiros”.