POLÍTICA


Alcolumbre mantém PEC pelo fim da escala 6×1 parada e diz que projeto deve ser votado após eleições

Presidente do Senado reclama dos ataques do governo e só pretende destravar tramitação após ser recebido por Lula

Foto: Andressa Anholete/Agência Senado

 

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mantém parada a PEC (proposta de emenda à Constituição) do fim da escala 6×1 e avisou a pelo menos dois aliados que não deve votá-la antes da eleição. Ele se queixa do tratamento recebido do governo e tem feito gestos à oposição.

Alcolumbre aguarda, segundo aliados, por uma conversa com o presidente Lula (PT). Os dois não se encontram pessoalmente desde que o Senado rejeitou a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para vaga no STF (Supremo Tribunal Federal).

O recesso parlamentar começa em duas semanas, no dia 17 de julho, e senadores foram informados de que nenhuma decisão sobre a PEC deverá ser tomada até lá. Durante o período eleitoral, de agosto a outubro, só devem ocorrer sessões virtuais, sem a inclusão de temas polêmicos.

Além da PEC do fim da 6×1, o presidente do Senado travou outros projetos do governo, como a PEC da Segurança Pública, o marco legal dos minerais críticos, a política de estímulos à instalação de data center (o Redata) e a medida provisória que acabou com a taxa das blusinhas (o texto perde a validade em setembro, o que pode fazer a cobrança voltar no meio da eleição).

Aliados de Alcolumbre ressaltam que o cenário pode mudar se o presidente do Senado for recebido por Lula e houver um acordo. Eles destacam, porém, que o calendário está curto e que o canal de diálogo está interditado.

O petista chegou a sinalizar que o receberia, mas o encontro não ocorreu. No mesmo dia em que indicou que aceitaria a reunião, o Senado aprovou uma pauta-bomba para renegociação bilionária de dívidas rurais.