POLÍTICA


Presidente do PT defende Jaques Wagner e diz que sua inocência será comprovada

Líder do governo no Senado é alvo de operação da Polícia Federal no âmbito do caso Master

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

O presidente do PT, Edinho Silva, defendeu nesta quinta-feira (18) o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), alvo de uma operação da Polícia Federal no âmbito do caso Master, e disse ter confiança de que o petista comprovará sua inocência.

“O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, afirmou Edinho em nota.

Ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT) teria recebido do empresário baiano Augusto Lima um imóvel avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões, segundo a coluna de Fábio Serapião, do portal UOL. Ex-sócio de Daniel Vorcaro, Lima também é foco da ação.

Agentes da PF estiveram em um endereço pertencente ao petista, no Corredor da Vitória, em Salvador, e em um hotel onde ele mora, em Brasília.

São apuradas suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo a instituição de Daniel Vorcaro.

Até a publicação deste texto, as defesas do senador e do empresário não haviam se manifestado sobre a operação. Em março, Jaques Wagner disse não dever explicações acerca do esquema do Master após a revelação de que a empresa de sua nora recebeu R$ 11 milhões do banco de Daniel Vorcaro. O senador chamou de “especulação” a menção a seu nome no caso, embora reconheça que há “muita trambicagem”.

“Na verdade, só puxaram porque é familiar meu. O assunto está todo explicado. É uma empresa de dois sócios: um rapaz e a moça, que é casada com o filho de Fátima [Mendonça, sua esposa] e, portanto, eles nos chamam de ‘minha nora’. Eu não tenho nada a explicar porque eu não tenho nada a ver com isso”, declarou em entrevista à rádio Metropole

Ex-governador da Bahia, Jaques disse em entrevista à Folha que sua relação com Augusto Lima se deu em 2018, quando o então sucessor, Rui Costa, decidiu vender o Credcesta ao empresário.

“Tínhamos um trambolho [no governo do estado] que era uma rede de supermercado estatal, com um cartão de compras que estava dentro disso. Nós privatizamos. Fomos duas vezes para a Bolsa de São Paulo, deu vazia. A partir daí você tem o direito de fazer uma chamada pública na Bahia. Apareceu o Augusto Lima, que já trabalhava com cartão de benefício, sindicatos, etc, junto com um espanhol, e resolveram comprar. O Vorcaro entra nisso depois da venda. Nunca falei com ele sobre Cesta do Povo, nunca. Nunca falei com ele”, afirmou.

“Conheci na venda do negócio. Várias vezes eu conversei com ele, acaba-se tendo uma relação. É um baiano que se relaciona com muita gente.”

Ao todo, a nova etapa da Compliance Zero cumpre 18 mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados da Bahia, São Paulo e no Distrito Federal.

Foram determinadas ainda medidas cautelares na operação de proibição de contato entre os investigados e suspensão de passaporte.