ECONOMIA


Preço do petróleo despenca após EUA e Irã anunciarem acordo para encerrar guerra

Mercados de ações e títulos globais sobem; assinatura de acordo para encerrar guerra está marcada para sexta

Foto: Reprodução/Redes sociais

 

Os preços do petróleo registraram forte queda nesta segunda-feira (15) após Estados Unidos e Irã anunciarem um acordo para encerrar o conflito iniciado em fevereiro. As cotações do Brent já operavam em baixa desde a noite de domingo (14) e mantiveram a trajetória de recuo durante a madrugada. Por volta das 7h25, o barril era negociado a US$ 82,89, uma desvalorização de 5%.

O valor é o menor desde 4 de março, quando o Brent futuro foi cotado abaixo de US$ 82 pela última vez. A queda amplia o movimento observado na sexta-feira (12), quando os contratos chegaram a ser negociados a US$ 86,50.

Nos Estados Unidos, o petróleo WTI (West Texas Intermediate) era vendido a US$ 80,19, com recuo de 5,56%. O anúncio também impulsionou os mercados financeiros globais. As bolsas asiáticas fecharam em alta expressiva, enquanto os principais índices europeus avançavam com força nas primeiras horas do pregão.

O clima de otimismo levou alguns mercados europeus a renovarem máximas históricas, acompanhando o desempenho positivo já registrado na Ásia durante a madrugada.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a reabertura do estreito ocorrerá na sexta-feira (19), sem cobrança de pedágio, e que o bloqueio naval americano será encerrado. “Navios do mundo, liguem seus motores. Deixem o petróleo fluir”, declarou.

Segundo fontes envolvidas nas negociações, a minuta do acordo prevê a reabertura do Estreito de Hormuz — corredor marítimo por onde circula cerca de 20% do petróleo e do gás natural comercializados no mundo —, o fim do bloqueio americano aos portos iranianos e a ampliação do cessar-fogo. A medida abriria espaço para novas negociações sobre o programa nuclear iraniano, com mais 60 dias de conversas.

Localizado entre o Irã e a Península Arábica, o Estreito de Hormuz é considerado uma das rotas mais estratégicas do comércio internacional. Seu fechamento provocou uma crise de abastecimento com reflexos nos mercados de combustíveis, alimentos, fertilizantes e frete marítimo, pressionando a inflação em diversos países.

No Brasil, o agronegócio é especialmente sensível a esse tipo de instabilidade. O país depende de importações para cerca de 85% dos fertilizantes utilizados na produção agrícola, sendo o maior importador mundial desses insumos e o quarto maior consumidor global.