SAÚDE


Vacinação com a Pneumo 20 pelo SUS começa em duas semanas, diz Padilha

Novo imunizante protege contra tipos graves de pneumonia e meningite

Foto: Bruno Concha/ Secom PMS

 

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, anunciou nesta quarta-feira (3) que a vacina Pneumo 20 passará a ser oferecida pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de até 5 anos a partir da segunda quinzena de junho. A aplicação será realizada nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de todo o país.

A Pneumo 20 é um novo imunizante incorporado ao calendário vacinal infantil do SUS e protege contra 20 sorotipos da bactéria Streptococcus pneumoniae, principal causadora de doenças graves como pneumonia, meningite e sepse. A vacina substitui a versão 10-valente atualmente utilizada, ampliando significativamente a cobertura contra a doença pneumocócica.

Segundo Padilha, o Ministério da Saúde já concluiu os procedimentos necessários para iniciar a distribuição das doses aos estados e municípios.

“Já tomamos todos os passos necessários, inclusive com nota técnica e distribuição para estados e municípios. A expectativa é iniciar a vacinação no começo da segunda quinzena de junho, provavelmente a partir do dia 15”, afirmou o ministro.

A Pneumo 20 é o quarto imunobiológico incorporado ao calendário infantil durante a atual gestão do Ministério da Saúde. Na rede privada, onde já está disponível desde o ano passado, cada dose custa mais de R$ 500.

A doença pneumocócica é causada pela bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, e pode provocar desde infecções leves, como sinusite e otite, até quadros graves, como pneumonia bacteriana, meningite e infecção generalizada.

Estimativas apontam que o pneumococo é responsável por até 50% dos casos de meningite bacteriana em crianças. A taxa de mortalidade nesses casos chega a cerca de 30%. Além das crianças, idosos e pessoas com comorbidades ou imunossupressão estão entre os grupos mais vulneráveis.

De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saúde), a doença pneumocócica é a principal causa de morte infantil por enfermidades preveníveis por vacinação. Entre 2023 e 2025, o Brasil registrou 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes. Entre crianças menores de 5 anos, foram contabilizados 616 casos e 188 óbitos no período.

O Ministério da Saúde destaca que a principal vantagem da nova vacina é a ampliação da proteção contra os sorotipos mais associados aos casos de pneumonia invasiva, especialmente os tipos 3, 6A e 19A, que não eram contemplados pela formulação anterior.

Além de prevenir formas graves da doença pneumocócica, a vacina também protege contra a otite média, condição que pode provocar perda auditiva e, em casos mais graves, evoluir para infecção generalizada.

A pasta informou que a distribuição inicial de 514 mil doses já começou. A vacinação será iniciada conforme os estados receberem os imunizantes e concluírem o repasse aos municípios. A previsão é disponibilizar mais de 6,1 milhões de doses ao longo deste ano.

A vacinação contra a doença pneumocócica foi incorporada ao calendário infantil em 2010, com a introdução da vacina pneumocócica conjugada VPC10 (10-valente). Desde então, houve redução de 60% nos casos de doença pneumocócica invasiva causados pelos sorotipos cobertos pela vacina entre crianças de até dois anos. Os casos de meningite pneumocócica nessa faixa etária também caíram 65%.

Apesar dos avanços, os registros voltaram a crescer nos últimos anos. Entre 2013 e 2019, o Brasil registrou média anual de 164 casos de meningite pneumocócica em crianças menores de 5 anos. Entre 2022 e 2024, esse número subiu para 211,3 casos por ano.

Dados da vigilância epidemiológica do Ministério da Saúde mostram que quase 40% dos casos graves analisados entre 2018 e 2023 foram causados por apenas dois sorotipos da bactéria que não estavam contemplados pela VPC10 e que agora passaram a integrar a formulação da Pneumo 20.

A nova vacina será destinada a crianças menores de 5 anos, povos indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacinação pneumocócica conjugada, idosos acamados ou institucionalizados com 60 anos ou mais e pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Cries (Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais).

Durante o período de transição, o esquema vacinal infantil será composto por uma dose da Pneumo 20 aos dois meses de idade, uma dose da Pneumo 10 aos quatro meses e uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses. Após o esgotamento dos estoques da Pneumo 10, o calendário passará a utilizar exclusivamente a nova vacina.

As vacinas VPC13 e VPP23 continuarão sendo utilizadas em estratégias específicas até o término dos estoques disponíveis.

O acompanhamento da vacinação poderá ser feito por pais e responsáveis por meio da Caderneta Digital de Saúde da Criança, disponível no aplicativo Meu SUS Digital.

O Ministério da Saúde informou ainda que recuperou, nos últimos três anos, todas as coberturas vacinais infantis que haviam registrado queda até 2022. A cobertura do esquema básico contra doenças pneumocócicas passou de 90,01% em 2023 para 93,22% em 2024 e 93,45% em 2025. Em 2026, a cobertura parcial acumulada já alcança 86,33%.

Durante a apresentação da nova estratégia de imunização, Padilha afirmou que o governo tem avançado no combate à desinformação sobre vacinas e na recuperação da confiança da população no PNI (Programa Nacional de Imunizações).