ECONOMIA


EUA propõem tarifa de 25% sobre importações brasileiras após investigação comercial

Relatório aponta práticas consideradas “irrazoáveis” e recomenda sobretaxa; decisão final caberá a Donald Trump

Foto: Karolina Grabowska/Pexels

 

O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre importações brasileiras após concluir uma investigação sobre práticas comerciais do Brasil. A proposta foi divulgada nesta segunda-feira (1º) e ainda será submetida a audiências públicas antes de uma decisão final do presidente Donald Trump.

Segundo o relatório, determinadas políticas brasileiras são consideradas “irrazoáveis ou discriminatórias” e prejudicam o comércio americano, o que justificaria medidas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.

Entre os pontos citados estão decisões judiciais envolvendo plataformas digitais americanas, suposto favorecimento ao Pix em relação a empresas estrangeiras de pagamento, acordos tarifários com México e Índia, falhas no combate à corrupção, proteção insuficiente à propriedade intelectual, restrições ao etanol americano e dificuldades no combate ao desmatamento ilegal.

A proposta prevê exceções para alguns produtos, incluindo determinados tipos de carne, frutas, café, materiais informativos e doações. Segundo o USTR, a medida busca evitar problemas de abastecimento no mercado americano.

O governo dos EUA informou que recebeu quase 300 manifestações durante a investigação. O prazo para envio de novos comentários termina em 1º de julho, enquanto uma audiência pública está prevista para 6 de julho.

A investigação foi aberta em julho do ano passado, após o governo Trump anunciar tarifas sobre produtos brasileiros e alegar a existência de práticas comerciais desleais. De acordo com o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, as conversas entre Washington e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se intensificaram nas últimas semanas.