ECONOMIA


JPMorgan prevê eleição acirrada e projeta alta instabilidade em ações no Brasil

Cenário segue marcado por polarização e pouca mudança estrutural, avaliam os especialistas do banco

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O JPMorgan mantém uma visão cautelosa para as eleições presidenciais de 2026 no Brasil, projetando uma disputa apertada e elevada volatilidade nos ativos financeiros ao longo dos próximos meses.

A equipe de economistas e estrategistas do banco destaca que, apesar de eventos políticos relevantes nas últimas semanas, o cenário segue marcado por polarização e pouca mudança estrutural.

Segundo a análise, embora incumbentes historicamente tenham vantagem no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não conseguiu consolidar uma liderança confortável nas pesquisas, mesmo com um pano de fundo macroeconômico relativamente benigno, com desemprego baixo, crescimento dos salários e inflação moderada.

Até recentemente, levantamentos chegaram a mostrar Lula numericamente atrás do principal nome da oposição, o senador Flávio Bolsonaro (PL), em simulações de segundo turno. O cenário atual, que mudou após vazamento de um áudio envolvendo Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, coloca Lula à frente do adversário, mas teve impacto limitado.

Na leitura do JPMorgan, o cenário eleitoral permanece ancorado em restrições estruturais e em um eleitorado altamente polarizado, o que reforça a expectativa de uma disputa acirrada. “Continuamos a interpretar novos choques sob a ótica de um eleitorado com baixa elasticidade e forte divisão”, aponta o relatório.

Mesmo após os episódios recentes, o avanço de Lula nas pesquisas foi apenas marginal. A taxa de rejeição ao presidente segue elevada, e há pouca evidência de migração significativa de votos entre eleitores centristas ou indecisos, avaliam os especialistas do JPMorgan.

Ao mesmo tempo, os candidatos alternativos à direita, como Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (União Brasil) e Renan Santos (MBL), continuam com intenções de voto em patamares baixos, sem sinal de consolidação como terceira via.

Os dados sugerem que eleitores que eventualmente se afastaram de Flávio Bolsonaro após o escândalo não migraram diretamente para Lula, mas permaneceram dentro do campo oposicionista ou optaram pela abstenção. Essa dinâmica reforça a avaliação de que o ambiente político segue rigidamente polarizado.

O banco divide ainda a evolução da disputa em três etapas principais. A primeira, até o fim de 2025, foi marcada por incerteza elevada, queda de popularidade do governo e foco em temas como inflação e fiscal. Na segunda fase, entre dezembro e o início de maio, Flávio Bolsonaro se consolidou como principal nome da oposição, e o quadro passou a refletir maior estabilidade e polarização.

A terceira fase, em que o país se encontra atualmente, deve ser caracterizada pela interação entre choques pontuais, como o vazamento do áudio,e as dinâmicas estruturais já estabelecidas. O período tende a trazer maior frequência de pesquisas, intensificação de articulações políticas e início da mobilização de campanha.

Na avaliação do JPMorgan, a formação de coalizões e alianças regionais, embora não garanta vitória, funciona como um sinal relevante de viabilidade eleitoral, influenciando tempo de TV, recursos de campanha e capacidade de alcance do eleitorado.

O banco reforça que as eleições no Brasil costumam ser decididas apenas nas últimas semanas, quando fatores como intensidade da campanha, debates e medidas de governo podem influenciar eleitores ainda indecisos.