ECONOMIA


Pão de Açúcar fecha acordo com credores para reestruturar dívida de R$ 4,5 bilhões

Companhia afirma que plano de recuperação extrajudicial pode reduzir em mais de 50% o valor devido ao longo do processo

Foto: GPA/Assessoria

 

O Grupo Pão de Açúcar (GPA) anunciou na terça-feira (5) que chegou a um acordo com credores responsáveis por 57,49% da dívida da empresa, estimada em R$ 4,57 bilhões. A negociação integra o processo de recuperação extrajudicial iniciado pela varejista em março deste ano.

Segundo a companhia, o plano prevê redução superior a 50% do valor total da dívida ao longo do tempo, além do alongamento dos prazos de pagamento.

Na recuperação extrajudicial, diferentemente da recuperação judicial tradicional, a empresa negocia diretamente com parte dos credores antes de buscar homologação na Justiça. No caso do GPA, os principais envolvidos nas negociações são instituições financeiras.

A empresa precisava alcançar adesão de credores que representassem mais da metade da dívida em até 90 dias para avançar com o plano.

De acordo com comunicado divulgado pelo grupo, a expectativa é que as obrigações financeiras passem a ter prazo médio de 6,4 anos, com redução do custo da dívida para CDI mais 0,5% ao ano.

Entre as medidas previstas está a conversão de parte dos débitos em debêntures conversíveis em ações, em operação que pode chegar a R$ 1,1 bilhão. O plano também inclui um novo financiamento de R$ 200 milhões concedido por credores participantes da negociação.

Vice-presidente financeiro da companhia, Pedro Albuquerque afirmou que a reestruturação deve aliviar o fluxo de caixa da empresa nos próximos anos.

“Como resultado dessas medidas, o plano de recuperação extrajudicial proporcionará liquidez relevante e reduzirá em mais de R$ 4 bilhões os desembolsos a serem realizados pela companhia nos próximos dois anos”, declarou.

Nos últimos meses, o GPA enfrentou dificuldades financeiras e chegou a alertar o mercado sobre incertezas relacionadas à continuidade das operações. Em fevereiro, a empresa informou déficit de R$ 1,2 bilhão no capital circulante e prejuízo acima do esperado no quarto trimestre do ano passado.

A rede, que já liderou o setor supermercadista brasileiro no início dos anos 2000, ocupa atualmente a quinta posição entre os maiores grupos do varejo alimentar no país.