SAÚDE


Canetas emagrecedoras podem deixar planos de saúde empresariais mais caros

Segundo pesquisa, gastos com medicamentos estão entre os principais responsáveis pelo aumento nos custos de saúde nas Américas

Foto: Cristian Camilo/Divulgação

 

A popularização das canetas emagrecedoras e a maior demanda por terapias avançadas, com medicamentos de alto custo, devem pressionar a inflação médica e podem levar a reajustes mais altos nos planos de saúde empresariais.

A agência de seguros Mercer Marsh estima que a inflação médica fique entre 8% e 9% em 2026, enquanto os reajustes dos planos empresariais devem variar de 8% a 10%. Já a Willis Towers Watson (WTW) projeta alta de 11% neste ano, mas não detalhou os reajustes dos planos.

Segundo pesquisa da consultoria WTW, os gastos com medicamentos estão entre os principais fatores responsáveis pelo aumento nos custos de saúde nas Américas, especialmente os remédios mais modernos para obesidade e diabetes.

“Embora os planos de saúde no Brasil ainda não contemplem medicamentos para emagrecimento, como as canetas injetáveis, o rol de procedimentos ampliou a cobertura ambulatorial para alguns tratamentos oncológicos, além de medicamentos voltados a doenças raras e autoimunes”, explica a diretora de saúde e benefícios da Willis Towers Watson, Walderez Fogarolli.

Paralelamente, entidades de saúde seguem discutindo como tratar a obesidade no longo prazo.

No final do ano passado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou as primeiras diretrizes sobre o uso de canetas emagrecedoras no combate à doença, classificando os medicamentos como uma ferramenta com potencial para “ajudar milhões de pessoas a superar a obesidade e reduzir os danos associados”.

No Brasil, uma série de projetos de lei apresentados no Congresso no ano passado passou a discutir sobre o uso de medicamentos contra a obesidade no Sistema Único de Saúde (SUS).

A avaliação do setor é que, embora os planos ainda não sejam obrigados a cobrir as canetas emagrecedoras, a obesidade vem sendo cada vez mais reconhecida como doença crônica, o que pode influenciar decisões judiciais contra as operadoras.

Ainda segundo a pesquisa da WTW, 67% das seguradoras acreditam que medicamentos à base de GLP-1 vão elevar os custos médicos nos próximos três anos.

Na prática, isso também pode pressionar novos reajustes dos planos de saúde.

Segundo o superintendente técnico e atuarial da Mercer Marsh Benefícios, Thomás Ishizuka, fatores como a frequência de uso do plano e o custo médio dos atendimentos também entram na conta dos reajustes.

“Analisamos principalmente o custo médio por atendimento e a frequência de uso, mas o preço também depende de outras variáveis, como a idade dos beneficiários, o setor da empresa e o tipo de contrato”, diz.

Apesar da alta projetada para 2026, especialistas avaliam que a inflação médica deve desacelerar em relação ao ano passado, resultado de um esforço maior das operadoras para combater fraudes e controlar custos após o aumento das despesas no pós-pandemia.

Dados do Relatório de Tendências Globais de Custos Médicos da Aon apontam alta de 9,7% nos custos médicos corporativos no Brasil, uma queda de 3,2 pontos percentuais em relação aos 12,9% projetados para 2025.