SAÚDE


Crianças e adolescentes representam mais de 60% dos casos de leucemia na Bahia

Maior parte dos pacientes tem menos de dez anos de idade

Foto: Leonardo Rattes/Saúde GOVBA

 

Um estudo da Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) apontou que a população baiana entre 0 e 19 anos representou 61,9% das internações por leucemia, tipo de câncer mais comum em crianças e adolescentes, no estado nos dois primeiros meses deste ano.

A maioria dos pacientes está na faixa etária de 0 a nove anos. No ano passado, 52,4% dos pacientes internados por leucemia eram jovens de até 19 anos. Desses 1.222 pacientes, 759 tinham até nove anos de idade.

Apesar de não haver uma causa para a maior incidência da leucemia em pessoas mais jovens, alguns fatores ajudam a explicar o fenômeno. O principal são as alterações genéticas espontâneas durante a formação das células sanguíneas nessa faixa etária.

Outros fatores importantes são o sistema imunológico ainda em desenvolvimento e, em alguns casos, associação com síndromes genéticas, exposição à radiação ou substâncias químicas. “[Esse contato] pode acontecer de forma secundária ao próprio tratamento para o câncer, em decorrência do uso de alguns quimioterápicos. Isto é, surge como efeito colateral tardio de tratamentos anteriores com drogas alquilantes ou radioterapia”, diz o oncologista pediátrico Henrique Silva Barreto.

Entre as internações registradas pela Sesab este ano, a maioria aconteceu em decorrência da Leucemia Linfoblástica Aguda (LLA), responsável por 57 internações de pessoas entre 0 e nove anos e 36 de pessoas entre 10 e 19 anos. Esse é o tipo mais comum nos casos pediátricos e também o que tem melhor prognóstico, com taxas de cura que chegam a 85%.

Ao analisar os óbitos causados por leucemia, observa-se que crianças e adolescentes não representam os casos mais expressivos. Em 2026, das 117 mortes registradas até fevereiro, oito foram de pessoas entre 0 e 19 anos, o equivalente a 6,8%. Isso se deve, sobretudo, à alta taxa de cura da LLA.

Os sintomas de leucemia, geralmente relacionados à insuficiência da medula óssea, incluem cansaço extremo, palidez, febre frequente e manchas roxas pelo corpo Se persistirem, devem levar ao agendamento de uma consulta médica.

O tratamento, por sua vez, consiste em quimioterapia, tanto para crianças como para adultos. Hoje, já é reconhecida também a importância do uso de algumas terapias-alvo ou de anticorpos biespecíficos no tratamento dessas patologias.